Você já ouviu falar da Internet sem gênero?

Quando você preenche seu cadastro em uma rede social ou faz uma compra em e-commerce você certamente se depara com um campo com o sexo que ao qual pertence. Mas você já parou pra pensar o que sente em relação a isso? Ou melhor, você sente algo em relação a isso ou já passou a ser uma hábito natural? Está cada dia mais intensa a discussão sobre os gêneros, assim como sua igualdade. Há pessoas que sofrem com o preconceito, e que vivem em uma luta constante para mudar de gênero, deparando-se com problemas burocráticos, sociais e físicos.

 

Thiago Fayrdin foi uma pessoa que se questionou sobre as caixas de gêneros durante uma compra na Internet. Formado em publicidade, Thiago trabalhou em agências paulistas durante alguns anos, até que começou a sentir frustrado com algumas coisas no Brasil. Decidiu morar fora do país e quando chegou na Dinamarca viu que estava certo sobre alguns sentidos, já que a cultura escandinava é bem diferente da brasileira.

 

Uma das primeiras coisas que chamou sua atenção foi como os dinamarqueses estão avançados em assuntos relacionados a igualdade de gênero, e ser gay ou trans lá já não é mais tabu muito tempo. Trabalhando em uma agência, a Uncle Grey, que tinha na cartela de clientes a Parada Gay de Kopenhagen, Thiago começou a se envolver com o tema, desenvolver ideias para as campanhas dos anos seguintes e seu filtro foi se ajustando aos padrões de lá. Um dia, quando estava comprando um ingresso em um site dinamarquês apareceram as caixinhas de gêneros e isto o fez questionar várias coisas. Thiago trabalhava com o sueco Oscar Olson, ambos diretores de arte na agência e juntos desenvolveram o conceito do Gender Free.

 

“Eu lembro que a primeira coisa que eu pensei foi que seria muito estranho se alguém me perguntasse isso na vida real. E então tive a ideia do Gender Free,  a Internet sem gênero. A Internet não deveria ser mais um momento onde a pessoa se sente rotulada ou que ela tem que parar para questionar o gênero dela  ou como ela deveria ser vista ou colocada naquele momento. A ideia foi deixar as pessoas livres dessas caixas, não forçar ninguém a ter que escolher!”

 

 

 

 

Em alguns países do mundo ser transgênero é considerado uma doença mental e isso assustou Thiago. Ao longo das pesquisas, Thiago e Oscar aprenderam um pouco sobra as dificuldades que as pessoas trans têm no dia a dia, mesmo em situações que parecem simples , como escolher qual banheiro você vai quando está em um lugar público, o que é extremamente frustrante para eles. Inclusive questões burocráticas maiores, como a dificuldade de encontrar um emprego, fora o próprio preconceito. Sem falar das taxas de suicídio entre os transexuais, que são altíssimas!

 

O Gender Free é um plugin que pode ser instalado no computador e que elimina as caixas de gênero de qualquer site que possua esta opção. Além de gratuito, o plugin pode ser baixado no site sem nenhuma complicação. A ideia principal, segundo Thiago, é conscientizar as pessoas em relação a este assunto, trazer o problema para mais perto das pessoas para que todos possam entender a igualdade de gênero.

 

 

“É muito legal que o plugin exista e ele realmente funciona, mas ele não resolve um problema. A ideia do Gender Free internet é muito mais trazer uma luz para esse assunto, que é tão importante e que muita gente ainda não consegue realizar a importância que isso tem na vida de tantas pessoas. A Dinamarca foi um dos primeiros países a reconhecer que ser trasngênero não é ter um distúrbio mental e a gente torce para que outros países sigam esse exemplo e que eventualmente a vida se torne mais fácil para todas as pessoas, independente de gênero, sexualidade ou qualquer coisa do tipo.” 

 

 

 

Thiago Fayrdin

 

 

O plugin Gender Free Internet pode ser baixado no link http://www.genderfreeinternet.com/#home gratuitamente. No canal do YouTube da Copenhagen Pride você pode assistir ao vídeo sobre a Gender Free Internet e ver a reação das pessoas quando se questionadas sobre seus gêneros, em situações corriqueiras do cotidiano.

 

 

 

 

A Revista Catarina sempre se posicionou a favor da igualdade de gêneros. Acreditamos no amor livre, em todas as formas de amar e de se expressar. Cada conquista da igualdade de gêneros, é uma conquista para nós também. Assim como Thiago Fayrdin apostamos na conscientização de todos, para que a escolha de gênero não seja um tabu. Desejamos que cada vez mais as pessoas acordem para este problema e criem seus plugins, para juntos, chegarmos em uma solução.

 

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