Uma revolução Modesta: Moda em Dubai

Que tal um desfile de moda sem passarela ou modelos? Essa é a proposta do evento apoiado pelo Conselho de Moda e Design Islâmico (IFDC), que aconteceu em Dubai no City Walk, de 28 de março até 02 de abril.

Intitulada como “semana de moda modesta” o evento pretende inovar ao retirar o protagonismo do desfile em si e direcionar os holofotes para os produtos e designers. Dentre os mais de 30 estilistas (locais e internacionais) presentes, se destacaram nomes como The Modist, Astel, Isabella Caposano, Blue Meets Blue, Laurafed, Under-Râpt, The Hijab Lee, Miella, Kopenhagen Fur, Phi Casa, Huda Nagassi e Loretta Caponi.

A moda apresentada no evento é voltada para os consumidores que prezam pela não exposição do corpo, seja por motivos ideológicos, religiosos ou culturais. “Nós como designers estamos tentando mudar os estereótipos dos refugiados nos EUA. Queremos que as pessoas saibam que somos muito trabalhadores, e estamos muito empolgados por estar em um país novo e queremos uma oportunidade para mostrar isso. ” disse a estilista Shahd Alasaly, fundadora da marca Under Rapt.

Para a exposição das marcas foi preparada uma mega estrutura, onde cada uma tinha seu próprio espaço para expor os produtos, e também contaram com o  apoio do Centro de Desenvolvimento da Economia Islâmica de Dubai, que proporcionou aos designers uma oportunidade de criar impacto através de vídeos imersivos em 360 graus, pop-ups interativos, competições de mídias sociais e entrevistas com especialistas ao vivo transmitidas no instagram do evento.

O movimento da “moda modesta” já chegou ao ouvido das grandes marcas de peso que voltaram seus esforços para esse público, um bom exemplo é a varejista norte-americana Macy’s lançou uma linha de roupas voltada para os fashionistas muçulmanas ao trazer peças como túnicas de gola alta com babados, macacões fluidos e cardigãs. A nova linha de “moda modesta” já está disponível para compras no site da marca. A gigante Nike também trouxe sua contribuição para o mercado Halal, e lançou um hijab projetado exclusivamente para mulheres atletas muçulmanas. Já a marca DKNY em 2014 lançou uma coleção voltada para o mês sagrado Ramadã, onde judeus e muçulmanos fazem jejum, e para completar a grife de luxo Dolce & Gabbana trouxe uma linha inteira de lenços e abayas, para suas clientes do oriente médio.

Segundo o relatório emitido pelo BOF- McKinsey & Co, pela primeira vez este ano, mais da metade de todas as vendas de vestuário e calçados terão origem fora da Europa e da América do Norte, e o Conselho de Moda e Design Islâmico  (IFDC) estima que os muçulmanos devem gastar até US $ 322 bilhões no mercado de moda só este ano, e esse número deverá crescer à medida que a população muçulmana se expandir para 2,2 bilhões até 2030.

A indústria da moda Halal abraçou a missão de desmistificar e difundir a moda de acordo com sua cultura, e o principal foco do movimento “moda modesta” é provar que existe um mercado – enorme – e pronto para consumir produtos de moda exclusivos e pensados para eles, vindo de encontro com grandes tendências comportamentais que tanto falamos como a do multiculturalismo e personalização de produtos e serviços.

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