Slow fashion

Vivemos como se não tivéssemos mais tempo para nada. E isso é uma verdade, afinal o tempo que teríamos livre estamos conectados, inclusive as próprias crianças! Na contramão dos dias corridos e excesso de informações nas redes sociais, a moda tem uma vertente que não está muito preocupada com os lançamentos frenéticos e incessáveis que aparecem a toda hora por aí.

O slow fashion é um movimento que anda na maré contraditória da atualidade. O termo surgiu por causa do slow food, um movimento gastronômico criado no final de década de 1980 para incentivar a alimentação saudável e produtos regionais, feitos perto de casa por produtores locais. O slow fashion defende a desaceleração na maneira de consumir moda, já que o mercado está carente por peças e produtos duráveis e ecologicamente corretos.

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A moda clássica, com peças atemporais e de qualidade que pode se encaixar muito bem em qualquer biotipo ou idade resumem o slow fashion, com tendências sutis e aproveitadas ao máximo, sem a pressa de esperar pela próxima estação e todas as suas novidades. Pense em blazers, tricôs, calças de alfaiataria afuniladas e casacos sofisticados, mas sem o ar sisudo ou aristocrático das grandes labels.

O consumo imediato que geralmente agrega produtos de baixa qualidade é o fast fashion, que se tornou uma febre mundial em redes especializadas, lojas de departamento e até mesmo em grandes marcas, que produzem suas linhas secundárias voltadas ao consumidor final, com as tendências de uma estação só. Foi na década de 1990, em um bairro chamado Sentier em Paris que pequenos comerciantes têxteis começaram o fast fashion, produzindo peças depois da confirmação de algumas tendências, mais tarde que normalmente produziriam. A grande vantagem era produzir apenas o que estava fazendo sucesso, sem que os produtos sobrassem nas prateleiras. As empresas logo entenderam que o fast fashion era rendável e se renderam.

Boutiques e grandes marcas se especializaram no slow fashion, atendendo a um público fiel, disposto a investir em moda duradoura e elegante. Muitas labels têm em suas coleções modelagem e peças clássicas para agradar aos entusiastas consumidores do movimento, mantendo em suas grades cores neutras, couro, cortes tradicionais com twist na modelagem, e tendências atemporais, como navy, minimalismo e militar.

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A estilista inglesa StellaMcCartney é uma das designers mais atuantes no campo da sustentabilidade, além de manter nas suas coleções alfaiataria e moda easy chic, que é a cara do slow fashion. A Maison Ullens, famosa por manter a moda atemporal com pitadas de tendências sofisticadas aponta a capital britânica como um dos grandes spots dos amantes do slow fashion. A Forte_Forte é outra marca que se especializou no movimento, sem deixar de lado lançamentos e temporadas bem distintas.

Com a bandeira da sustentabilidade erguida, o slow fashion está ganhando espaço e conscientizando as pessoas em geral, já que a indústria têxtil é responsável por alguns desgastes significantes, como de água. Em guerra com o consumo deliberado dos grandes magazines de fast fashion, a moda duradoura pode ser a grande tendência verde na atualidade.

por Mariana Goulart
@marianaloureirogoulart

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