Precisamos de mais semanas de moda como o DFB

Ontem chegamos em Fortaleza para mais uma edição do Dragão Fashion Brasil, maior semana de moda autoral da América Latina. Minutos antes de sair do hotel para o Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza, local onde acontece o evento, o Facebook nos mostrou na timeline um post feito pela fotógrafa Ana Clara Garmendia no dia 29 de abril. “Por que a imprensa de moda não pode dizer o que pensa de um desfile, coleção, estilista? Até o Marc Jacobs (que, para mim, é um dos grandes nomes da moda contemporânea) está achando chato o fim dos críticos de moda. Não gostou, não pode falar porque perde o convite para a apresentação? É isso? Todo mundo acha tudo muito lindo? Tudo é um conto de fadas?(…)”, questiona Ana. Se “a coisa está feia” na Europa, onde ela mora, imagina aqui no Brasil!? Passamos por uma das maiores crises na indústria nacional e as coleções e as semanas de moda refletem exatamente esse momento. O mercado como um todo, ao invés de ousar, se mantém na zona de conforto. E aí é que mora o perigo!

Após muito refletir sobre o texto de Ana Garmendia, seguimos para a 17ª edição do DFB e o primeiro compromisso do dia era a coletiva de imprensa com Claudio Ferreira. O diretor do evento abriu os trabalhos confessando que a estratégia dessa edição foi simplesmente não se contaminar com a maré pessimista que insiste em fazer o Brasil parecer ainda mais frágil, corrompido e sem esperanças. Por isso, ao invés de começar apontando as tendências de mercado e as projeções para o futuro, Claudio ressalta que nesse momento o mais importante é a ação e não o discurso. A primeira mudança notável foi que o espaço físico do evento dobrou de tamanho, mesmo sem verba, afinal a Riachuelo – que era o principal patrocinador – decidiu não participar dessa edição. Mesmo com o corte de gastos, que serão cada vez mais frequentes no mercado nacional, a semana de moda de Fortaleza segue firme e forte e promete permanecer assim por ainda mais tempo.

Depois seguimos para a sala de desfiles, até que chega a hora de Lindebergue Fernandes fechar o primeiro dia do evento, sempre temos ótimas expectativas acerca do desfile dele. Se no ano passado o estilista abordou assuntos atuais e dito polêmicos, esse ano não seria diferente. As luzes se apagaram, a música “Eu te amo meu Brasil” da banda Os Incríveis começou a tocar e o primeiro modelo entrou. Ele segurava uma bandeira lisa escura, com look de referências militares e o rosto pintado que remetia aos palhaços. Ao longo do desfile também foram abordados assuntos como o movimento genderless e a religião. No final, Lindebergue apresentou sua versão de Jesus: de vestido de cor vibrante e segurando uma bandeira branca. Era notável que a plateia estava atenta a cada modelo que cruzava a passarela e todos presenciaram uma das maiores críticas a sociedade e a política brasileira atual, através da moda. Como era esperado, o público aplaudiu de pé.

Foi aí que nos lembramos do post de Ana, que mencionamos anteriormente, e chegamos a conclusão de que na verdade faltam mais profissionais como Lindebergue Fernandes no mercado, faltam mais sonhadores como Claudio Ferreira, faltam mais semanas de moda como o DFB. Tanto no Brasil, como no mundo. Se esse é um momento crítico na moda, por que não a olharmos com outra perspectiva!? Isso será fundamental para a volta dos bons frutos da mesma. E quanto ao Brasil, precisamos valorizar cada vez mais o handmade, a brasilidade, isso é o que nos difere e nos destaca. Para criar nossa coleções, devemos parar de olhar para fora e apenas olhar para o lado, recursos não nos faltam.

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por Diego Sfoggia
Viajou a convite do evento
Fotos: Roberta Braga / Silvia Boriello / Ricardo K.

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