Coleção feita por detentos by Gustavo Silvestre é atração no SPFW

No cerne da sustentabilidade, está a experiência de conectividade das coisas, a compreensão vivenciada das incontáveis inter-relações que vinculam os sistemas econômicos, materiais e socioculturais. Reconstruir as relações entre a moda e os sistemas ecológicos e sociais que a sustentam requer transformar o mundo. Por isso anúncios como o de ontem onde um projeto extremamente transformador fará parte de umas das principais semanas de moda brasileira é inspirador e gratificante.

O artesanato por si só já tem uma conexão visceral aliado a questões sócias então se transforma em algo ainda mais engrandecedor. São muitas horas trabalhadas, para transformar o artesanato em uma peça que transborde valores, não apenas monetário mas também emocionais. O artesanato pode ser visto como uma condição humana especial de estar engajado.

Ele combina mãos e mentes, dando vida aos pensamentos mediante a ação. Surge então o termos craftivism ( craft artesanato em inglês) que designa o artesanato como agente de mudança da cultura material, política e social. O seu envolvimento transcende os hábitos normais de consumo e faz com que os consumidores vivam experiências únicas através de uma consciência mais reflexiva.

O projeto o Ponto Firme, é uma iniciativa do designer Gustavo Silvestre, que leva formação técnica artesã em crochê para sentenciados de uma penitenciária masculina.  O estilista vai toda semana ao presídio para não só ensinar, como também proporcionar novas perspectivas profissionais e pessoais para os encarcerados. Em apenas dois anos de existência, o Ponto Firme já formou cerca de 100 pessoas.

No último dia 4.04, Gustavo organizou uma prévia do desfile na Penitenciária Adriano Marrey, em Guarulhos, onde modelos desfilaram as peças criadas pelos detentos. “O tempo dedicado às aulas contribui para a ressocialização e remissão de pena dos participantes, além de ajudar no desenvolvimento da concentração por meio de uma terapia manual”, conta Gustavo. No final, o tempo em grupo vai muito além do aprendizado de uma técnica.

Eles também sentem a realização ao ver algo que fizeram com as próprias mãos tomar forma. A apresentação emocionou todos os presidiários que assistiram. E o mais bacana é que agora o desfile poderá ser visto no próxima edição do SPFW, no sábado (21.04), às 15h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras como evento oficial da agenda do evento. “O SPFW tem como premissa transformação, educação e formação.

Ter esse projeto dentro do evento reafirma nosso compromisso com a sociedade de mostrar que a moda, o design, o fazer criativo podem realmente mudar a vida das pessoas”, ressalta
Paulo Borges, diretor criativo do SPFW. Agora imaginem um desfile de crochê , feito por detentos de uma penitenciária masculina, conseguem? Estamos tão curiosos quanto vocês e doidos para ver
as peças na passarela.

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