O NovoLouvre de Mariah Salomão Viana

Texto: Camila Beaumord

O amor pela moda (do design à matéria-prima ao produto final) está impregnado no DNA e é passado de geração a geração. Prova disso é Mariah Salomão Viana. Bisneta do empresário Miguel Calluf, que inaugurou a consolidada loja de tecidos Louvre em Curitiba nos anos 1970, a arquiteta lançou sua própria grife de roupas. Hoje, ela comanda suas operações no mesmo endereço do empreendimento do bisavô – é no centro histórico da capital paranaense que suas coleções são criadas e comercializadas. Conheça a mente criativa por trás do NovoLouvre para ver como seu trabalho impacta o design curitibano e a moda nacional.

Sobre sua marca: Sempre gostei de moda como consumidora e apreciadora de design. O NovoLouvre começou como um espaço cultural que tinha uma livraria, café, escritório de design e arquitetura (já que eu trabalhava como arquiteta na época) e uma boutique que vendia criações de jovens talentos locais. Com o tempo, a moda foi ocupando todos os espaços do local e eu comecei a produzir roupas de encomendas que apareciam, já usando a marca NovoLouvre. Elas faziam sucesso e a progressão para a marca foi natural.

Sobre o mercado de moda: Em nível global, [o mercado] passa por uma mudança. A criação e a produção estão separadas, não acontecem necessariamente juntas. Se não podemos concorrer na produção (me refiro aos preços chineses) temos que concorrer na criação. E a criação não somente do estilo, mas também no processo da produção. A economia criativa serve principalmente essa função: vencer os obstáculos, quase sempre financeiros, com criatividade. No NovoLouvre encaramos assim – o design é o nosso produto!

Sobre o cenário em Curitiba: A moda curitibana é embrionária. Dei aula na faculdade de Design de Moda até julho e conheço bem o cenário, que precisa amadurecer muito. Curitiba, além de estar engatinhando no design de moda, é um mercado difícil. Uso o meu caso como exemplo – abrimos um ponto de venda somente agora. Paralelo a isso, temos uma forte história no urbanismo, na arquitetura e no design, que eu acho que podem migrar e influenciar a moda. Nessa busca, nossas coleções são sempre inspiradas nesses temas.

Sobre a criatividade: Acho que é algo nato, que não se aprende… Mas pode ser aperfeiçoado. É como uma pulsão de vida, algo que precisa ser extrapolado. É também algo retroalimentado, quanto mais se cria mais se tem vontade, facilidade e necessidade de criar.

Sobre seu aprendizado: Sou arquiteta por formação e na arquitetura é muito difícil ou caro para realizar seus projetos. Mas a moda é diferente, com 50, 100 reais você desenha e faz uma roupa. Então acho que tem que fazer e dar a cara à tapa… Hoje existem muitas possibilidades de mostrar o trabalho, desde lojas colaborarias até o mundo virtual.
Outro conselho é aprender tudo que a faculdade pode ensinar, mas não pensar “dentro da caixinha”. É preciso ter cuidado para não se limitar a regras em um mundo de criatividade.

Sobre a inovação: Tenho a necessidade de criar coisas novas sempre… Uma vez meu orientador do mestrado me disse, “Mariah, você é uma raposa” se referindo à raposa e o ouriço do Isaiah Berlim. A raposa se interessa por muitas coisas ao mesmo tempo… Tenho uma inquietação, uma necessidade do novo, que a moda supre.

Sobre a família: Como empresária tenho o exemplo de meu bisavô, Miguel Calluf, objeto de homenagem do NovoLouvre; meu pai, que era empresário; e minha mãe, que é psicóloga, sempre trabalhou muito e foi bem sucedida. Quero crescer, e muito!

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