O novo varejo da moda

Já tivemos algumas moedas de troca, antes do dinheiro propriamente dito. O sal era uma delas, assim como a prata e o ouro, que já eram utilizados por comerciantes no século VII a.C, em formato de pequenos discos para trocar mercadorias. Os séculos passaram e ainda vivemos nesse sistema de trocas de dinheiro por mercadoria, porém estamos sofrendo mutações no formato de vendas, e os motivos são diversos.

A sustentabilidade é uma realidade próxima a todos nós nos dias atuais. Reciclar o lixo, reciclar ideias e claro, reciclar roupas. Após a explosão do fast fashion e toda sua logística frenética, o mundo quis frear, cuidar do planeta, respirar melhor. Uma nova consciência surgiu, acompanhada de boas intenções, clareza e responsabilidade social. As marcas entenderem este novo momento e começaram a se adaptar ao contexto. O mercado sustentável começou a ganhar espaço, com tecidos ecológicos, o closet cápsula e suas vertentes.

Adquirir peças de boa qualidade, para durar bem mais que uma estação, é o lema do slow fashion, que seguiu de encontro com esta nova fase do varejo de moda. Novas labels surgiram com esse conceito e muitas atualizaram suas linhas básicas e clássicas para abraçar a ideia de adquirir peças quase que eternas. Há quem não consiga viver com poucas peças de roupas. Há quem consiga. Mas entre todos os perfis, existiu sempre a vontade de ter algo novo, não necessariamente recém fabricado, e sim como novidade.

A blogueira americana Caroline Rector criou um site, o Un Fancy para mostrar para as pessoas como mudou seu estilo de se vestir deixando em seu closet apenas 37 peças. Viciada em compras, Caroline comprava roupas baratas, mas sentia-se sempre “sem nada para vestir”. A blogger, que aconselha a doação ou venda das peças em excesso, compõem os looks combinando as peças entre si, economizando tanto tempo para se vestir, quanto dinheiro. Aqui no Brasil, Gabi Barbosa, do blog Teoria Criativa segue a mesma linha, do armário cápsula. Além de dicas de looks com as mesmas peças, Gabi ensina alguns truques, como os tipos de roupas erradas que as pessoas mantém no armário e que deveriam se desfazer, vendendo ou doando.

Caroline Rector e seu closet cápsula

Caroline Rector e seu closet cápsula

Gabi Barbosa dá dicas de como aproveitar melhor suas roupas

Gabi Barbosa dá dicas de como aproveitar melhor suas roupas

Upcycle

Passamos a vida inteira usando a roupa das nossas amigas e dos nossos familiares. Ficamos felizes com toalhas e roupões de hotéis. Por que afinal, descartar a hipótese de adquirir algo usado, lavado e bem conservado em uma loja? Já se foi o tempo onde os brechós eram lugares exclusivos de roupas velhas e descuidadas.

O crescimento dos brechós nos últimos anos foi avassalador. Um conjunto de atitudes, que deixou de lado o preconceito de adquirir algo usado prevaleceu, e assim endereços hypados tiveram seu lugar ao sol. Brechós de roupas infantis, de peças de luxo, de moda vintage e muitos outros segmentos passaram a fazer parte da lista de gastos das pessoas, não apenas por necessidade, mas pelo diferencial e pela sustentabilidade.

As redes sociais foram responsáveis pela mudança no formato das vendas. Grupos no Facebook, lojas on line, perfis no Instagram, todos especializados em vendas. Os brechós dos grupos e perfis são um sucesso e as pessoas estão se habituando a vender suas peças para adquirir outras. A comunicação é diferenciada, os termos são específicos e a reciclagem é constante. Produtos de luxo custam um montão de dinheiro, principalmente os que possuem certificados de autenticidade, como it bags.

Bolsas Chanel, Prada, Hèrmes e outras marcas luxuosas viraram artigos máximos de desejo e, mesmo usadas, são comercializadas em perfis do Instagram, de pessoas comuns, lojas e brechós on line. Muitas vezes essas peças imponentes nem precisariam ser vendidas, mas as pessoas buscam por reciclagens em seus próprios closets. É como se não houvessem punições para adquirir algo luxuoso que você não ficou satisfeito. Basta fazer um cadastro ou jogar nas suas redes e passar pra frente, sem nenhuma mágoa e muito menos preconceitos.

Não apenas as roupas seguem esta nova proposta, móveis e outros artigos estão entrando nesta modalidade de venda, principalmente em sites e e-commerces. Alguns destes sites convertem os créditos das suas vendas em créditos para você adquirir novas peças, como é o caso do Enjoei. O site, que também possui um aplicativo bem completo, no qual você pode fotografar e anunciar seu produtos com o celular, aposta em uma linguagem totalmente diversificada, com gírias, email personalizado e disponibiliza uma loja virtual para que cada pessoa venda suas peças novas ou usadas. Existem regras, comissão de 20% das vendas e sistemas de trocas e devoluções.

O Repassa é outro site em formato de comunidade, onde você posta suas vendas e faz compras também. Nesta mesma linha, o Skina é um aplicativo novo de compra e venda mais focado em produtos e tecnologia. Além das compras e vendas, o relacionamento entre usuários do site é extremamente importante, impulsionando vendas e trazendo novos membros. O Tag de Lux é um brechó on line, que levanta a bandeira da moda sustentável e aponta para marcas sustentáveis também.

Entre os maiores brechós de luxo on line, o Peguei Bode tem site e redes sociais bombadas por celebridades e influencers que interagem com as postagens de bolsas, sapatos e roupas originais, novos ou usados. Neste mesmo formato, que combina site com redes sociais, o Etiqueta Única tem no seu e-commerce a opção para comprar e também vender, precisando de certificado de autenticidade e etiquetas. Algumas celebridades, como Carol Celico têm peças à venda no Etiqueta Única, em prol de causas beneficentes.

Mesmo que a maioria das pessoas ainda prefira a compra padrão, em lojas de peça novas, não podemos negar que este momento é extremamente importante, e único, para a moda. Ser sustentável passou a ser necessário, e quem não está neste trem, corre o risco de ser deixado de lado. Os estilistas estão em busca de novos materiais, da reciclagem de tecidos e utilizando coleções passadas como ferramenta de trabalho para customização. E não estamos falando de marcas pequenas, várias labels internacionais aderiram à bandeira verde e fazem questão de mostrar esta atitude, que vai muito além das passarelas.

Um novo momento, e uma nova consciência, que só estará em vigor quando as pessoas entenderem que nossas roupas também se relacionam com a natureza. Afinal, a indústria da moda é a segunda mais poluente do planeta. Nós também somos aquilo que vestimos!

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