NATU: Entrelaços pelos Ares e Mares

 

Tivemos a oportunidade de conhecer uma marca linda, de bem com a vida e como a natureza, do jeitinho que a gente gosta. A Natu nasceu em Florianópolis pelas mãos da designer Natália Fernandes, que nos contagiou com sua energia e apresentou um pouquinho da marca para gente. Preocupada com os mínimos detalhes a Natu é cheia de mimos e encanta seus usuários, tudo tem um ar natural, essências, tingimentos naturais, reaproveitamento de tecidos, papeis reciclados, cadeia produtiva, tudo feito para minimizar os impactos sócios ambientais do nosso planeta

Entrelaçados pelos ares e mares da Ilha da Magia, diversos pensamentos e inquietações deram vida à NATU. Com seus traços artesanais e genuínos, liga o céu e o mar, o campo e a praia, e principalmente as pessoas que por ali passam. De nome NATU, a marca foi concebida a partir de reflexões relacionadas ao mundo da moda. Através delas, então, foram desenvolvidos os conceitos e a essência da marca que hoje refletem o respeito pela natureza, pelos trabalhadores e pelos consumidores.

Desse modo, as peças são frutos do chamado “slow fashion”, um movimento sustentável que preza pela consciência tanto no momento da venda quanto da compra. Assim, destaca-se a produção local, feita exclusivamente à mão, ou melhor, à muitas mãos (mãos de quem cria, recria e de quem se deixa envolver pelas peças criadas).

A NATU valoriza a produção local, e não concorda com a utilização de mão de obra escrava, pois assim como a natureza, todo ser humano deve ser respeitado, valorizado e tratado com amor. Sendo assim, a confecção é consciente e o preço, justo. Ademais, o cuidado e o respeito com o nosso planeta também são prioridades para a NATU, por isso suas peças tomam forma de modo a gerar o menor impacto possível para o planeta. Parte dos tecidos utilizados origina-se do refugo das grandes marcas  e os retalhos tornam-se a embalagem das próprias peças, e o que não é aproveitado, torna-se fuxico pelas mãos de artesãs locais da Ilha.

Confira abaixo o bate papo que tivemos com a Nati e conheça um pouco mais dessa marca que AMAMOS.

 

 

  1. O que provocou seu interesse pela criação de uma diferenciada e com o propósito do slowfashion?

Tentei, desde os 17 anos, fazer os quimonos mais lindos e bem estampados da época. Dediquei toda a minha energia a compreender o que levava uma menina a se sentir leve e bonita, confortável e arrumada. Busquei sempre escolher os tecidos com as estampas que mais casavam com o meu público. O caimento, o corte, os detalhes. Mas, com o passar do tempo fui entendendo que minha roupa precisava ser “bonita” em todos os sentidos que vão além da estética. Não era só a mão de obra ética que contava. Era muito mais.

Eu sabia que, nos processos têxteis, são utilizados diversos produtos tóxicos. E, embora costumasse optar por tecidos com alguma fibra natural, eu tinha consciência de todos os problemas que o algodão transgênico representa no mundo, dada a quantidade de pesticidas empregada na lavoura e o endividamento a que se submetem inúmeros camponeses. Olhando ao meu redor, havia várias coisas que eu não gostava, e estava tudo conectado entre si. Em sumo, a moda ética nos faz refletir sobre o que é um “bom” design – tanto em nível criativo como em nível industrial – e pouco a pouco, fui buscando novos processos produtivos que se encaixariam com o que eu acredito, me permitindo fazer uma roupa mais bonita por dentro e por fora.

 

      2. Como seu trabalho evoluiu desde que você começou sua própria marca? 

Sei que, quando podemos escolher, optamos por aquilo que nos ajude a fazer um mundo melhor. Assim, sempre valorizei a produção local e nunca concordei com a utilização de mão de obra escrava, pois todo ser humano deve ser respeitado, valorizado e tratado com amor. Ademais, o cuidado e o respeito com o nosso planeta são prioridades para mim, e não há dúvidas de que estamos em um momento que não podemos ficar parados.Quando comecei com a NATU, eu ficava com a produção e criação sob a minha responsabilidade. Modelagem, corte, costura. Mas chegou a um ponto que eu não estava mais rendendo nos pedidos e precisava de alguém para me ajudar. Foi então que a Cris assumiu a costura e eu continuo na modelagem e corte.

No que diz respeito ao processo, as peças tomam forma de modo a gerar o menor impacto possível para o planeta. Parte dos tecidos utilizados são tecidos 100% reciclados, provenientes do refugo das grandes marcas. Os retalhos tornam-se a embalagem das próprias peças, e o que não é aproveitado, torna-se fuxico pelas mãos de artesãs locais da Ilha. Para a coleção de outono/inverno que lançarei em abril, trarei novidades feitas à mão como ecobag ecológica feita de rede de pesca, bolsa de palha de butiá e tecidos orgânicos cultivados em fazendas do Ceará e do Mato Grosso do Sul por cerca de 250 famílias associadas a uma rede de cooperativas. Da lavoura, o produto segue para galpões em Minas, onde se faz a fiação e a tecelagem.

 

  1. Como funciona o seu processo de criação? 

Sou formada em moda e meu processo de criação nunca foi semelhante ao que aprendi na faculdade. Não gosto de ficar presa em tendências e ao processo de desenho, para depois comprar o tecido. Para criar, gosto de já ter os tecidos na minha frente; preciso tocá-los, senti-los, e dar forma mentalmente a cada um. Junto a esses aspectos, penso no item mais importante, a menina NATU: engajada nas causas sociais, no Slow Living e que gosta de roupas confortáveis e básicas, que sejam bonitas por dentro e por fora.

 

  1. Qual a reação do público a esse tipo de negócio? Eles valorizam mais as peças?

Até pouco tempo, o Slow Fashion era tido como um produto caro, inacessível, feito de forma caricata para um público seleto, distante da maior parte dos consumidores. Mas a cada ano esse conceito vem mostrando que a sustentabilidade está ao alcance de todos e pode sim estar associado a tendências, designs diferenciados e preço justo. Esse nicho sustentável é algo com que a nova geração está se preocupando, mobilizando e montando startups. Estamos nos conscientizando e buscando opções mais éticas para consumir. A partir daí, consegui engajamento e mostrar às pessoas como se pode consumir Slow Fashion por um preço justo de forma sustentável.

 

  1. O que é moda pra você? Qual a importância dela na vida das pessoas e na sociedade?

Penso que o ser humano possui a necessidade natural de expressar seus pensamentos, emoções, e seu estilo de vida. A moda, além de compor a necessidade de vestir-se, entra neste contexto como uma forma de expressão individual. É muito mais do que roupa, é um sistema que integra o simples uso das roupas do dia-a-dia a um contexto político, social, sociológico e pessoal, de cada ser humano. Moda é comunicação.

 

  1. Qual a sua visão sobre o futuro da moda com tantas mudanças que vem acontecendo no mundo fashion nos últimos tempos?

As pessoas estão mudando a sua forma de pensar, agir e consumir, e o mercado inevitavelmente acompanha essas mudanças. Há uma seleção que já está acontecendo, e o mercado exige das marcas, consciência, autenticidade e um propósito. Não há dúvidas de que, como consumidores ou profissionais, estamos em um momento de mudança e conscientização importante, que não podemos ficar parados. Acredito que o futuro da moda seja do “feito a mão”, andando lado a lado com a tecnologia e com a sustentabilidade.

 

  1. Como você descreveria sua marca?

A NATU é uma marca concebida a partir de inquietações relacionadas ao mundo da moda; um movimento sustentável que preza pela consciência desde a produção até a compra e pelo preço justo para deixar a moda consciente ao alcance de todos.

 

  1. Deixe um recado para os leitores da revista:

O Slow Fashion é para todos: pense no futuro, consuma consciente e faça com que suas peças ganhem diferentes vidas em cada utilização.

 

Photos:
Victoria Moura @victoriamouraphoto
Lucy Hallak @lucyhallak

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