Moda Ética e Movimento Slow

A moda é um dos fenômenos sociais e culturais do mundo contemporâneo que mobiliza e influencia as pessoas. Sua contribuição na formação da identidade de cada indivíduo é direta, pois o sistema de moda é responsável por impulsionar tendências, conceitos e ideias. Vivemos num mundo em que tudo e todos estão em constante mutação. Essa mudança está ligada ao novo ritmo de vida. O consumidor está cada vez mais atento a questões éticas, e as empresas que não se adaptarem podem ficar fora das demandas de consumo das novas gerações. Nos últimos anos a sociedade passou a entender melhor os conceitos do “sustentável” e os criadores por sua vez, passaram a compreender que nada pode ser 100% sustentável e que qualquer prática de sustentabilidade é bem-vinda na produção de um produto.

Embora o consumo seja inevitável, além de ser importante para a cadeia produtiva, podermos pensar a moda através de uma ótica sustentável. Esta é uma das formas mais significativas para as mudanças no cenário da sociedade atual. A indústria da moda e vestuário é uma das que mais gera empregos no cenário mundial, mas por outro lado, também é uma das indústrias que mais gera resíduos. O cenário da sustentabilidade abrange, não só uma evolução no processo produtivo das indústrias da moda, mas sim a compreensão de um novo estilo de vida do consumidor engajado com os problemas da humanidade e preocupado com os valores éticos através de seus atos de consumo.

Compreender melhor como a moda influencia nas atitudes pessoais e dita estilos através da roupa é de grande importância, principalmente diante das grandes mudanças do mercado atual. A sustentabilidade pode ser um bom negócio e grandes índices de mercado já apontam para uma grande demanda nesse assunto.

Do ponto de vista sustentável, reunir informações e desenvolver uma análise sobre o comportamento humano através do movimento do slow fashion, alternativa de movimento ético e unificado que promove uma alternativa de redução a produção em massa, é uma forma de referenciar a moda ecológica, que vem se destacando como uma das grandes mudanças comportamentais, além de facilitar o processo de transição para a conscientização dos consumidores e de práticas sustentáveis dos designers, que precisam modificar os processos de projetação, incluindo o DNA sustentável desde o início de seus projetos.

A análise de tendências pode ser considerada prospecção quando se fala em pensar o futuro. As mudanças no estilo e no gosto têm se desenvolvido há vários séculos, e vem atingindo um ritmo exponencial nas primeiras décadas do século XXI. As motivações de consumo mudaram, principalmente aquelas que dizem respeito às escolhas individuais. A noção de bem-estar e qualidade de vida, compartilhadas pela maioria, assumiriam significados pessoais, tendo como denominador comum a percepção central dos indivíduos com os cuidados de si, ou wellness, como viria a ser conhecida essa esfera hipertrofiada do estilo de vida

Partindo da ideia de que atualmente existem diferentes processos de mudança na sociedade e que nem todas elas ocorrem da mesma maneira, muitos estudiosos e sociólogos estudam como as pessoas se adaptam a novas ideias e conhecimentos, através de novos comportamentos.

A experiência da compra pode e deve ser divertida e recompensadora, ainda mais se encontrarmos algo macio, bonito, na moda e barato. Como consumidores, somos apenas uma parte dessa cadeia, pois do outro lado há inúmeras pessoas que participaram do processo de construção dos produto. Tornar-se um consumidor consciente não quer dizer deixar de consumir, mas sim equilibrar a qualidade e quantidade que se consome, pensamento esse que vai ao encontro com o surgimento do movimento Slow Fashion.

O slow deixou de ser apenas uma mera tendência e passou a ser um movimento, ele engloba questões que estão se fixando cada vez mais em nossa forma de consumo e por essa razão passou a se tornar uma nova direção do mercado de consumo da moda, ele surgiu para conscientizar as pessoas do quão importante é consumir do jeito.

O movimento Slow Fashion sugere então uma ruptura com os valores e objetivos que são baseados apenas no crescimento econômico da indústria do vestuário, incentivando um modo de consumo onde menos é mais – a qualidade sobre quantidade – além de resgatar o valor das roupas removendo a imagem da moda como algo descartável, e para tanto promove uma consciência de compra que deve ser baseada na durabilidade das peças e a forma como são produzidas. O Slow Fashion está transformando também a forma em que as roupas são pensadas, a forma com que as pessoas as vestem e a relação entre o indivíduo e seu estilo. Um dos pilares do Slow é justamente a diversificação de estilos, estimular as pessoas que criam os produtos a sempre inovar e aos consumidores terem seu próprio estilo, vestirem roupas que digam algo sobre sua personalidade, algo que realmente gostam e não algo copiado de uma marca importante feita com produtos que não respeitam a ética e sustentabilidade ou mesmo seguir as tendências que são lançadas diariamente pela indústria do fast. Ao contrário do movimento fast fashion o slow fashion estimula a criatividade dos designers encorajando-os sempre a inovar, desenvolver produtos inovadores que colaborem para a crescente demanda de produtos com tecnologia e personalidade que ao em vez de copiar grandes grifes utilizando materiais de baixa qualidade, busca o novo, o inusitado e o sustentável.

O Slow Fashion é justamente a junção que precisamos entre sustentável e ético para encontrar o equilíbrio do consumo. Ele não mostra apenas alternativas viáveis para a diminuição do impacto no meio ambiente pelos produtos e maneiras de produzi-lo, tratando inclusive da qualidade do material, a durabilidade e o preço justo pago por ele como também aborda a valorização do ser humano e seu trabalho, além de incentivar a criatividade e o estilo próprio.

O slow não deve ser como uma maneira não rendável de negócio, mas sim como uma forma de aprimorar a produtividade e não deve ser baseada em lucro na hora da venda , pelo contrário, os ganhos sociais e ecológicos que geram esses novos conceitos de produção de moda pensando a longo prazo. Essa nova forma de fazer moda une a criatividade, o artesanal e a tecnologia, com a junção desses três é possível criar um produto inovador, sustentável e atemporal.

Destacasse então o surgimento de uma nova direção da indústria da moda, onde a preocupação com sustentabilidade e com o desaceleramento do consumo, estão cada vez mais presentes. Acreditar nesse novo processo e desenvolver produtos com consciência ética e social é a grande aposta do mercado atual, que além de nutrir seus negócios com valores que realmente fazem a diferença ajudam na construção de um mundo melhor.

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