MICA ROCHA: AMOR(EX), SNAPCHAT E UM MILHÃO DE BOAS HISTÓRIAS

Quando fiquei sabendo que a influencer Mica Rocha iria estar em Floripa para a noite de autógrafos do seu mais novo livro, Amor(ex), não perdi tempo em tentar descolar uma entrevista. Faz algum tempo que vocês estão nos pedindo mais pautas com influencers, para dar aquela espiadinha bacana na vida e na história de quem nós acompanhamos através de tantas redes sociais. Vocês pedem, a gente obedece, né? Eu “sigo” a Mica desde a época de Wepick, site que ela tinha em parceria com Lele Saddi, passando pelo programa SOS Pé na Bunda, até chegar ao Snapchat. Em meio a tantas influenciadoras lindas, com fotos perfeitas e totalmente inacessíveis, Mica conquista pelo bom humor, a proximidade com cada seguidora e as risadas que ela arranca da gente no meio das centenas de snaps diários.

Marcamos o horário – eu e a nossa outra repórter Mari Goulart – chegamos cedo, e já entramos no clima dos stories, entre um assunto e outro, a gente escuta um grito na porta da livraria – e pensa “Ela chegou”. E era isso mesmo, a influencer especialista em conselhos amorosos já chegou gritando seu famosos “MIIIIIGLES” para as muitas meninas que se alinhavam na Saraiva esperando um autógrafo e uma selfie (claro!).

Nas próximas linhas você vai conferi a entrevista que fizemos com Mica Rocha, que deu show de simpatia, falou do livro, das milhares de seguidoras, deu conselhos amorosos e ainda rendeu vídeos divertidíssimos! Aproveitem 😉

Como você descobriu o amor por escrever? Como está sendo essa aventura?

Eu trabalhava com internet há muito tempo, acho que estou lá fazem 7 anos. Comecei no blog da Lelê, em seguida fizemos o We Pick – site voltado para lifestyle -, e depois eu segui carreira solo por que comecei a me descolar um pouco dessa coisa de escrever blog, que na verdade nunca foi muito a minha praia, e fui para os vídeo. Um pouco depois, eu criei e apresentei o “SOS Pé Na Bunda”, que foi um programa para a Warner que falava sobre relacionamento. Com isso, a editora Benvirá ficou sabendo desse movimento, que eu gostava do universo feminino, falar de auto-estima e relacionamento e me convidaram para escrever um livro.

No início elas queriam um livro de ficção e como eu nunca tinha escrito nada além de notinhas e coisas curtas eu me assustei. Falei “Não, obrigada, tchau” (risos), elas insistiram, falaram que acreditavam no projeto e queriam escrever mesmo a tal da ficção. Eu topei escrever um livro, disse que até ia rabiscar algo nesse estilo, mas, primeiro tinha outra coisa na cabeça para apresentar, que era o “Manual da Fossa”, meu livro de auto-ajuda. Elas amaram, e ele saiu primeiro. Esse processo foi muito legal por que eu fiquei mais segura, lançar um livro menor, com um jeito de escrever que eu dominava mais, me deixou mais confiante para lançar o AMOR(EX).
No meio disso tudo, eu nunca realmente imaginei que as pessoas iam comprar meu livro, que ele ia entrar na lista de mais vendidos, foi uma surpresa atrás da outra, tudo muito legal.

post_mica_rocha_lancamento

Qual a diferença entre escrever um auto-ajuda e uma ficção?

Tem uma diferença estrutural muito grande, o “Manual da Fossa” tem começo, meio e fim, é mais fácil e claro, eu tinha o meu sumário do que eu tinha que escrever. E no AMOR(EX) são quatro histórias, então eu sabia que tinha que ter começo, meio e fim quatro vezes, e as histórias saíram todas da minha cabeça, o que deixa ainda mais difícil. O livro tem mais idas e vindas com as editoras, mais correções, precisa ter um tempo que converse com as quatro histórias por que elas se entrelaçam. Você aprende a fazer uma estrutura que as pessoas querem ler, com conflito, a parte em que você conta, mas não conta tanto para o leitor ficar preso…

Falando em ficção, tem alguma coisa tua nas histórias do livro?

O livro não é autobiográfico mas também não da para não ter algo meu, ou da minha irmã, das minhas amigas, seguidoras, enfim. Não tem nenhuma história que seja toda só minha, é uma pincelada de várias coisas.

O livro é composto por quatro histórias de quatro mulheres e cada uma tem uma lição. Como é isso?

Como eu falo sobre relacionamento, eu vejo o meu trabalho como uma ajuda, uma maneira de fazer alguma diferença para quem está lendo, fazer a pessoa refletir, trocar, pensar…Eu não ia escrever um livro que não tem algo a oferecer para o leitor. Eu acho que quando uma pessoa procura um livro meu depois do “Manual da Fossa” ela procura algo para aprender, repensar… e não apenas uma história por uma história.

O AMOR(EX) é uma ficção com auto-ajuda, tem essa função de fazer a gente pensar. O livro fala sobre relacionamento tóxico contando uma história, mas mesmo assim ele fala sobre relacionamento tóxico. Ele fala sobre se apaixonar por alguém casado de uma maneira que esteja numa personagem, em uma ficção, mas mesmo assim fala do conflito que é você querer quem não te quer, quem é impossível.

amorex-mica_rocha


Como você entrou no mundo dos relacionamentos?

Eu sou uma pessoa muito intensa, romântica nas idéias de vida, tudo isso desde muito nova e sempre fui muito ligada a relacionamentos. A professora do pré chamou meus pais na escola por que eu só falava de casamento, sobre quando eu casar, quando eu me relacionar, o meu marido, quantos filhos eu ia ter… era uma coisa muito precoce e meio obsessiva (risos) E não era que eu queria casar de véu e grinalda, eu adorava o assunto, pra mim relacionamento era a minha vida do pré, gente, DO PRÉ! (risos) Então já tinha esse caminho.

Para completar, tive – como muita gente – problemas de auto-estima, precisei me descobrir. E nesse caminho escolhi muitos relacionamentos errados pra mim, e como eu era uma pessoa muito intensa e muito obsessiva pelo assunto eu vivi muito isso. Então acho que fiquei com uma casca boa de aprendizado, já tive relacionamento tóxico, já me apaixonei por uma pessoa que não me fez bem, já tive relacionamento longo muito nova, já desejei a solteirice pra sempre, já me apaixonei perdidamente, já acabei por que não agüentava mais, já casei…Claro que sou nova e tenho muita coisa pra viver mas eu tive essa vivencia jovem, que várias pessoas não tem. Eu tenho essa coisa da “sofrência”, então comecei a falar sobre isso de boa, de forma engraçada nas redes sociais, e acabou virando trabalho.

As pessoas te pedem muitos conselhos nas redes sociais? Tem muita história trash?

Tem muita história trash! Tem histórias de pessoas que estão muito deprê…Nesses casos eu logo falo para procurar uma ajuda profissional, por que eu acho que meu papel é de amiga. Claro que acredito que tenho um certo conteúdo, por causa da minha mãe que é psicóloga, e eu troco muito com ela, converso, leio, estudo… Não é que eu só gosto de papear sobre, eu me aprofundo, como eu disse, eu sou meio obsessiva por isso. Quando têm casos mais sérios eu não fico me colocando como profissional da área.

Você responde muitos seguidores?

Eu respondo tudo que eu posso! De verdade, eu paro tudo para responder. Deve ter muita gente aqui no lançamento que eu já devo ter respondido um monte de coisa. São muitas histórias, e muitas parecidas também, acho que por dia eu respondo umas dez histórias iguais.

Tem lado bom de levar pé?

Quando uma pessoa ta sofrendo eu falo, é uma droga sofrer por amor, pela rejeição, é horrível! Mas você vai sair disso tão melhor. E vai escolher melhor, se conhecer melhor. Óbvio que é duro, que é uma dor muito ruim, mas tem lado bom.

Quando você percebeu que o trabalho que estava fazendo estava realmente dando certo?

Foi com o Snapchat. No Instagram eu tenho um engajamento muito legal, as pessoas comentam muito, mas elas não desabafam no Instagram, né? Quando veio o Snap com essas coisas de mensagem fechada o engajamento aumento muito! Eu sempre abri meu chat, eu amo! Meu trabalho é esse, você vai falar de relacionamento e não vai ouvir histórias, não vai conversar com as pessoas? Então não vai ter combustível para falar.

Outro ponto que me marcou foi quando eu comecei a ir em shopping e ser parada, abraçada, e as pessoas ficarem muito emocionadas em me conhecer. E não é em um sentido de me colocar um pedestal, muito pelo contrário, é por elas se sentirem amigas, próximas. O livro aproximou todo mundo ainda mais, quando eu vim para Floripa no primeiro lançamento, eu nem imaginava que tinha público aqui, fiquei emocionada ao chegar na livraria e ter fila, Foi muito bacana.

O marido apóia?

Sim, muito! Ele é de outro mundo, né? Trabalha com o mercado financeiro, tem almoço com cliente, viaja…ele não vai aparecer no meu canal do Youtube respondendo 10 perguntas e levando torta na cara. Não vai. Eu super entendo, o trabalho dele é diferente, exige uma formalidade. Mas ele é uma pessoa muito incentivadora, foi o Renato que deu o nome dos meus dois livros, ele é muito criativo e participativo.

Fique por dentro de todas as novidades!

Cadastre seu e-mail e receba conteúdos exclusivos da Revista Catarina.

Seu endereço de e-mail*