Kids+Fashion: O Street style infantil

Nascidos entre meados dos anos 80 e 90, os millennials (também chamados de geração Y) revolucionaram o mundo de diversas maneiras, e a moda não ficou de fora. Mas essa geração cresceu e gerou frutos, trazendo uma nova visão de mercado: os millennials como pais. Segundo dados da agência criativa da Barkley US, 40% dos nascidos nesse período já têm filhos, e são responsáveis por um poder de consumo global de aproximadamente 1,3 trilhão de dólares.

 

Os filhos dos millennials são conhecidos como a geração Alpha, que se iniciou com os nascidos a partir da segunda década desse milênio. Os alphas nasceram com a tecnologia em alta, tendo contato com esse novo universo desde o início de suas vidas, o que, somado ao estilo de criação de filhos dos millennials, afetou significativamente a geração. Todo esse contato gerou crianças mais inteligentes e ao mesmo tempo conscientes, além de muito mais acostumadas com a exposição das redes sociais, acarretando em significativas mudanças na comunicação das marcas com esse público, seja voltada para seus pais ou para os próprios alphas.

 

A geração de pais da era digital espelha muito de si para a criação dos seus filhos alpha.  “Você não quer perder quem você é apenas porque você tem um filho. Nós usamos nossos filhos como uma saída para expressar nossa própria criatividade e como um reflexo de nós mesmos.” diz a diretora-geral da Hypekids, Christine Su. Os novos pais buscam vestir seus filhos como eles se vestiriam, valorizando principalmente o streetwear como referência.

 

O instagram é uma das ferramentas que mais estão sendo usadas para essa transformação: a facilidade do compartilhamento de fotos nessas mídias digitais fez com que muitas crianças se tornassem mini ícones virtuais de estilo. A pequena Coco, de Tokyo, é um exemplo clássico disso. A menina, que atende por @coco_pinkprincess no instagram, se tornou ícone fashion do Japão após seus pais passarem a compartilhar fotos da mesma na rede social, sempre em looks misturando marcas famosas entre os adultos e o streetwear, e hoje em dia já ultrapassa a marca de 350 mil seguidores.

 

Coco não é a única, basta ir na aba “descobrir” do aplicativo que há uma grande probabilidade de aparecer algum mini sucesso fashion. “O Instagram trouxe os pequenos influenciadores para a frente com seus próprios Outfits Of The Day, que estão recebendo centenas de milhares de likes”, diz Nathalie Genty, fundadora da Melijoe. “Os pais estão vestindo seus filhos para estar na moda, porque é bom fazer isso com seus canais digitais” ela completa.

 

Uma das grandes impulsionadoras dessa onda foi, sem sombra de dúvidas, North West, filha de Kim Kardashian e Kanye West. As fotos compartilhadas pela mãe com a pequena usando peças de luxo infantis ganham milhares de curtidas, se tornando inspiração para os demais pais da nova geração. A pequena posa com looks personalizados de grandes marcas como Givenchy e Balmain, onde a primeira conta que celebridades e amigos da casa pediam à marca para criar peças para seus filhos, e que estavam respondendo ao interesse do consumidor cumprindo esses pedidos. Os próprios pais de North têm uma marca e, percebendo o sucesso da filha, lançaram a Kids Supply. O instagram da label já tem mais de 100 mil seguidores, e as fotos de Kim com a filha e as sobrinhas usando as peças à venda são o ponto alto dos likes.

 

Diversas marcas de luxo já estão aderindo à essa nova realidade do mercado. A própria Givenchy, após os inúmeros pedidos, lançou para o inverno 2017 a primeira linha Givenchy Kids, contando com a média de 130 peças por temporada programada pela equipe de criação. Outra gigante do mercado de luxo que está investindo no setor infantil é a Balenciaga. Sua linha kids estreou recentemente, no desfile masculino para o verão 2018, e a marca classifica como uma coleção sem gênero para crianças, o que é outra tendência forte do mercado atual. Labels como Oscar de la Renta e Dolce & Gabbana também produziram sua colaboração para o universo kids (essa última desde 2012), entretanto muito menos streetwear, e mais com sua pegada clássica de luxo.

 

Outro exemplo clássico é a Gucci, que têm produzido suas peças infantis em um estilo muito próximo de suas coleções ready-to-wear para os adultos. A clássica camiseta da label, com seu nome estampado, esgotou das araras da grande loja de departamentos londrina Selfridges em apenas cinco dias, superando a linha tradicional.

 

Colaborações também têm sido uma opção muito escolhida por grandes marcas que querem lançar suas versões para os pequenos. A Adidas, por exemplo, já passa de sua quarta parceria com a loja de artigos infantis Mini Rodini, onde a mais recente se tornou uma das colaborações de maiores sucessos da marca. Auto denominada uma coleção com valores sustentáveis, as duas marcas trazem desenhos com temas bem infantis, em peças tradicionais da Adidas como os moletons e camisetas. Essa mistura rendeu bons resultados, e é um clássico exemplo do que esse novo mercado deseja.

 

Não há dúvidas de que as coleções kids estarão cada vez mais presentes nas passarelas de luxo. Nas próximas estações teremos, segundo as previsões do WGSN, muita modelagem peplum e babados trazendo a delicadeza para o universo infantil. Veremos grandes labels trazerem para o streetstyle das crianças estampas florais e o clássico xadrez, que é uma forte tendência desde os desfiles das últimas semanas de moda. Cada vez mais as peças oferecidas para o público kids estarão próximas das coleções ready-to-wear principais das marcas, refletindo as mesmas tendências e formas, traduzidas de uma maneira com uma pitada de ludicidade.

 

Além de atender o desejo dos pais millennials, que estão buscando espelhar seu estilo de vida em seus filhos, toda essa valorização e repaginação do mercado infantil é uma ação inteligente para o futuro. “As crianças de hoje crescerão para serem consumidores de amanhã. Para qualquer marca, permanecer relevante entre essas gerações é o objetivo” diz o CEO da Givenchy, Philippe Fortunato. Se a geração atual já está revolucionando o mercado por buscar a identificação com a marca e valorizar toda a experiência de consumo por trás de cada peça comprada, os alphas terão esse desejo ainda mais forte. Trazer desde a infância esse consumidor para dentro de sua loja, seja física ou virtual, e mostrar o que sua empresa pode proporcionar para seu cliente é, sem dúvidas, uma estratégia que está sendo colocada em prática por inúmeras marcas visionárias, e que tem tudo para dar certo.

 

 

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