“Inspiração é…” com Jardel Edebran

Com apenas 26 anos, mas muita bagagem profissional, Jardel Edebran aparece entre os stylists mais promissores de Santa Catarina. Sua infância em Apuína, próxima a Blumeanu, foi responsável pelas referências que carregaria consigo ao longo da formação de sua carreira, que começou em Florianópolis, mas já expandiu para os quatro cantos no mundo. Com um currículo que inclui uma pós-graduação no FIT de Nova York e passagens por grifes gringas como a de Farah Angnasa, Jardel acaba de retornar de mais uma produção internacional. Em nossa conversa, o stylist fala dos desafios da profissão e o que o inspira todos os dias.

dupla

O começo: Quando criança, acompanhava muito as minhas irmãs. Saíamos todos juntos, íamos ao shopping e elas sempre se interessaram por moda. Roupas boas, legais, despojadas. Somos de uma cidade pequena e elas sempre eram consideradas as mais descoladas e irreverentes pelo jeito que se vestiam. Lembro-me de minha irmã mais velha com os cabelos na altura do queixo e a franja bem curtinha. Ela se parecia com uma Anna Wintour de cabelos pretos. Nos anos 1990 e na minha cidade, ninguém era assim.

Formação: Comecei cursando Design Gráfico e vim morar em Florianópolis. Mas a faculdade de design não me estimulou muito e, já que eu estava aqui, pensei em cursar Design de Moda em paralelo. Eu sempre fui muito ativo em pensar, escrever, desenhar. Sempre gostei de criar. Passei em primeiro lugar na UDESC, mesmo sem estudar. Eu aprendi com as aulas mais voltadas para estilistas, como costura, modelagem, mas nunca foi meu foco. Meu interesse estava nas matérias de produção, sempre soube que era o que queria fazer.

Marca registrada: Minha assinatura é mais luxuosa. Os meus clientes procuram algo mais requintado; eles buscam o meu trabalho para deixar a marca mais sofisticada. Não sou aquele stylist ultramoderno que acha que precisa incorporar todas as tendências ali. Gosto do chique, do clássico. De fazer uma imagem de moda atemporal. Não foco só na tendência, no comercial, no que está em alta agora. Quero criar um momento bonito para a marca.

Filosofia profissional: Eu já fui muito inocente nos negócios. O meio da moda tem muito ego, e essa negatividade pode trazê-lo muito para baixo. Hoje em dia, eu aprendi que você vai ter que se reerguer várias vezes na sua vida. Não é uma vez, não são duas, são várias. Porque às vezes você está no topo, cai, vai passar por uma fase horrível e vai ter que voltar. Hoje eu já estou mais forte. Já ganhei vários calotes. Já lidei com pessoas que não foram legais. Você tem que ser muito seguro de si, porque essas pessoas o colocam para baixo.

Sobre a moda: Às vezes eu fico muito desanimado, e sei isso acontece em qualquer trabalho. Mas aí conheço o dono de uma marca muito legal, que faz suas roupas com tanto carinho. Ele me chama para ajudar a dar uma nova cara à marca, apresenta a coleção e me anima de ver o seu trabalho. As pessoas me inspiram, vejo que elas dão o melhor de si em um mercado tão competitivo. Então o que eu puder contribuir com elas, vai ser ótimo. Isso me inspira muito.

Para ser stylist: Eu acho que você tem que construir o seu nome e depois saber manter. Eu estipulo um valor e não negocio com a mesma facilidade que fazia quando comecei na carreira. Tudo tem custo, imagine, eu tenho contrato com as lojas que pego acessórios, por exemplo. Se alguma coisa estraga, além da produção ir por água abaixo, eu vou ter que cobrir com o meu bolso. E o cliente nem sempre se dá conta disso. Ainda se está criando esta cultura no país, e eu tento inseri-la no que eu faço. Não basta ir lá montar uma roupa; como stylist, eu carrego toda a minha bagagem cultural, meus cursos, minha educação fora do Brasil. E eu acho que as faculdades que lidam com criativos deveriam inserir mais aulas práticas de administração. Porque isso foi o que senti falta no meio profissional.

Sobre o futuro: Já estou conversando com as marcas para eu assinar uma coleção. Não se pode parar, tem que sempre evoluir. Admiro muito o lado empreendedor. Você não pode se resumir a uma label, tipo, “sou stylist”. Não. Você é stylist, mas pode ser um grande empreendedor ou criador além disso. É assim que eu me vejo, pelo menos.

 

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