Girls Code: Mulheres no cenário de TI

O mercado de tecnologia ainda é restritivo para as  mulheres, mais do que empresas de outros setores. Durante os últimos anos o assunto veio à tona com força, graças ao feminismo que deu voz a essa e muitas outras questões que estavam sendo negligenciadas. O problema da exclusão de gênero não vem de agora, e principalmente na tecnologia tem sido uma barreira que impede as empresas e o mercado de incentivar mulheres a entrarem no universo tecnológico e de inovação. Mas vozes têm se levantado, e projetos têm tomado força ao lutar por igualdade. 

Algumas empreendedoras da área de TI ou ciências da computação tem apoiado a entrada de mulheres no campo da programação, por ser uma área com muita demanda e também por ser até então exclusiva para homens.

Apesar de hoje a área de TI RR ser dominada por homens, quem escreveu os códigos do primeiro programa de computador do mundo em 1843, para ser utilizado na máquina analítica de Charles Babage, foi Ada Augusta Byron King, a Condessa de Lovelace, e uma mulher.

O algoritmo criado por Ada calcula a sequência de Bernoulli, conhecida também como a Lei dos Grandes Números, que indica a frequência de fatores e repetições em experimentos, mapeando a quantia de vezes e em quais condições ocorreu o fenômeno. Este teorema é muito utilizado hoje em dia no desenvolvimento de softwares jogos.

Atualmente muitas influenciadoras surgiram para lutar contra os estereótipos e estatísticas forjadas pelo mercado da tecnologia, e também para criar um ambiente progressivo que apoia o empreendedorismo tecnológico feminino, também chamado de Femtech.

Karlie Kloss é um nome incrível desse movimento. Você pode conhecê-la como modelo, mas ela é a CEO do projeto Kode com Klossy sem fins lucrativos,  que é o seu programa de capacitação e aprendizagem de linguagens de código para meninas. A ideia surgiu com o seu interesse pessoal por programação, e a fez sentir que mais mulheres precisavam de incentivo para aprender e iniciar suas carreiras nessa área.

Inicialmente Kloss lançou uma bolsa para 21 garotas interessadas em tecnologia, mas o projeto foi além, agora em forma acampamentos de verão em várias cidades americanas, estão abertos para candidatas selecionadas entre 13 e 18 anos de idade, que aprendem o “ABC do código”. “A ideia é que, uma vez que essas jovens sejam adequadamente treinadas, elas possam usar suas novas habilidades para resolver problemas e instituir um efeito cascata de mudanças positivas em todo o mundo e em suas comunidades” afirma a CEO.

Outra iniciativa voltada para meninas é o projeto Codegirl, que estimou que em 2017 o mercado de aplicativos foi avaliado em U$ 77 bilhões, e mais de 80% dos desenvolvedores desses produtos são homens. O desafio do projeto é mudar esse cenário, capacitando meninas em todo o mundo para desenvolver apps em uma competição internacional, onde as vencedoras recebem uma bolsa para concluir o projeto e colocá-lo no mercado.

Além disso o programa tem um cunho social e sustentável, já que os projetos submetidos devem ser feitos para ajudar as comunidades, resolver problemas do mercado e prestar serviços inovadores. As equipes precisam escrever os códigos do zero, resolver problemas nos sistemas, pensar no design e no marketing dos apps. Nas etapas finais, após o programa selecionar os melhores projetos, acontece uma apresentação dos produtos e uma equipe vencedora leva o prêmio.  O documentário sobre o Code Girl está disponível na Netflix, e conta com finalistas brasileiras, africanas e americanas, vale a pena assistir.

Muitos outros projetos estão surgindo como o Programaria, Laboratoria e a GirlsOnTech, e todos têm o objetivo de alinhar intrinsecamente a mente de jovens meninas com o momento de revolução cultural que estamos vivendo, abordando questões relativas à igualdade de gênero, levantando discussões francas sobre o real espaço que o feminino ocupa na tecnologia, e revogando um direito que é nosso, como já provou a Condessa de Lovelace.

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