Gestão de recursos hídricos na cadeia têxtil

Hoje é o dia mundial da água, no entanto não precisamos de um dia especial para pensarmos num dos elementos mais importantes para a nossa sobrevivência. E em meio a uma crise híbrida se faz necessário nos questionamos sobre questões sustentáveis e qual o futuro do nosso planeta.

Neste sentido é necessário uma reflexão de todos para que possamos também evitar o desperdício, através da economia e uso racional da água para que a mesma não venha a faltar.

A água é um recurso natural essencial para a sobrevivência de todas as espécies que habitam a Terra. No organismo humano a água atua, entre outras funções, como veículo para a troca de substâncias e para a manutenção da temperatura, representando cerca de 70% de sua massa corporal, distribuídos desta forma: cérebro 75%, pulmão 86%, fígado 86%, coração 75%, sangue 81%, músculos 75%. Percebe-se que dependemos muito da água para a nossa própria sobrevivência.

As soluções baseadas na natureza podem ter um papel importante na melhoria do abastecimento e da qualidade da água e na redução do impacto dos desastres naturais, de acordo com a edição de 2018 do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos.

No estudo, que será apresentado por Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, e por Gilbert Houngbo, diretor do UN Water (ONU Água, em tradução livre) durante 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, o relatório reconhece a água não apenas como um elemento isolado, mas como parte integrante de um processo natural complexo que envolve evaporação, precipitação e absorção da água pelo solo.

“Precisamos de novas soluções na gestão dos recursos hídricos para superar os novos desafios da segurança hídrica causados pelo crescimento da população e pela mudança climática. Se não fizermos nada, em 2050, cerca de 5 bilhões de pessoas estarão vivendo em áreas com baixo acesso à água. Este relatório propõe soluções baseadas na natureza para uma melhor gestão da água. Essa é uma importante tarefa que todos nós precisamos cumprir, juntos e de maneira responsável, para evitar conflitos relacionados à água”, declarou a diretora-geral da UNESCO.

Quando falamos da indústria da moda e quão poluente ela é, principalmente se tratando da água, muitos mitos se criam que realmente por se parecerem verdade, se tornam verdade. Os números da indústria realmente não são bons, mas muitos deles são imprecisos. E isso é um problema. Esse assunto precisa ser tratado com seriedade e muitas marcas e empresas ainda não o fazem.

Sabemos, por exemplo, que o curtimento do couro é um dos processo mais poluentes criados pela humanidade, que o algodão é sedento, consome muita água, terra para plantio além de pesticidas, inseticidas e herbicidas.

Além disso, estima-se que 8 mil produtos químicos sintéticos são usados para transformar matérias-primas em tecidos, muitos dos quais serão liberados nas fontes de água doce. Essa poluição excessiva de nossos lagos e rios tem pressionado as marcas para eliminar produtos químicos perigosos da cadeia de suprimentos. A água é um recurso precioso e ameaçado. É preciso 1800 litros de água para fazer um par de jeans e a indústria têxtil polui uma quantidade de água doce equivalente a 1.560 mil piscinas olímpicas anualmente. A água doce compõe apenas 2,5% da água da Terra.

No entanto estamos entrando num momento que podemos considerar de grandes esperanças, com inovações tecnológicas acontecendo em todas as indústrias, a moda pode ser incluída nesta lista. Uma mudança radical na maneira como fazemos negócios, migrando da economia linear para a economia circular, é fundamental para o sucesso futuro da moda, enquanto criamos formas inovadoras e sustentáveis.

Com algumas iniciativas de utilização de novas tecnologias, como por exemplo, a impressão 3D, poderemos fabricar artigos de moda em larga produção de forma automatizada, barata e personalizada, sem emitir poluição, eliminando o desperdício, consumo de água e produtos químicos.

A moda pode ser uma força para a mudança e hoje muitas marcas já investem na purificação de águas residuais geradas por tinturarias. Outras voltam a investir nos processo de tingimento de fibras a moda antiga,  com folhas, bagas, raízes e outros materiais naturais que minimizam os riscos para o meio ambiente e ainda são bastante benignos.

A conscientização dos consumidores força as marcas e fábricas a se adaptarem ao novo público exigente. Quando cada um entender queo poder que está em suas mãos,  poderemos impactar positivamente uma indústria que há anos vem tornando nossa população e planeta doente.

Cada um pode fazer a sua parte e ajudar na  manutenção da vida, pequenos exercícios diários e de consciência também podem auxiliar na preservação daquilo que é essencial para nossa existência. A mudança está dentro de cada um e o planeta não pode mais esperar.

 

 

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