Geração Z

Como uma geração que não conheceu o mundo sem internet vai mudar a maneira com que consumimos e nos relacionamos.

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Ultraconectados, autênticos, adaptáveis, criativos… palavras não faltam para descrever a geração que vem ganhando espaço nas pesquisas relacionadas a comportamento e consumo, a Geração Z (nascidos após 1995). Ao contrário dos Millennials (1980 até 1994), eles cresceram em um contexto digital e cheio de adversidade. Passaram por uma recessão, viram seus pais precisando cortar gastos, perdendo o emprego e a casa. Um combinado de fatores que resultou em jovens com uma visão mais realista de mundo. Conscientes e engajados, têm uma percepção prática do que precisam fazer para atingir seus objetivos. Por já terem nascido em um mundo conectado, convivem em harmonia com o turbilhão de informações que são apresentadas a todo instante. Ao invés de se confundirem nesse emaranhado, eles conseguem aproveitar apenas o que acham interessante. Algo que as gerações anteriores ainda têm dificuldade de realizar. Outro ponto positivo dos Z’s é a facilidade com que produzem conteúdo. Uma das principais características dessa geração é a criatividade e o gosto por contar e ouvir histórias. Para eles é normal saber tudo da vida de quem admiram, seguir nas redes sociais, assistir a filmes e documentários. Se você tem uma história para contar, tem talento com fotografia ou não tem medo de ser quem é, já conquistou o respeito e a admiração deles.

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Um ótimo exemplo disso é a blogueira Isa Scherer (19), do endereço IsaScherer.com. Ela começou a plataforma aos 15 anos, logo após participar de uma websérie sobre moda realizada pela revista Capricho, a It Girls. Na época, os blogs ainda estavam em ascensão, e não eram tantas meninas que tinham a coragem de compartilhar seus gostos e histórias na web. Isa, que sempre foi apaixonada por moda, aproveitou a convivência extra com o assunto e decidiu criar o próprio espaço. Ela conta que gosta de mostrar a vida como ela é, comenta tendências, dicas de maquiagem, suas experiências com produtos testados, roteiros de viagem, etc. Tudo com uma linguagem acessível, como se estivesse conversando com uma amiga. Atualmente, Isa soma mais de 100 mil seguidores no Instagram, onde compartilha uma série de produções impecáveis, seguindo o famoso formato “look do dia”. Mas quem pensa que ela vive entre araras cheias de roupas e sacolas, consumindo sem pensar, se engana. Para ela, o consumo consciente é muito importante, e busca sempre se relacionar com marcas ecologicamente corretas e que não façam testes em animais. Boa qualidade, design e durabilidade também estão na lista de itens essenciais para uma boa
compra. “Levo muito em consideração a qualidade do produto, as vezes comprar algo um pouquinho mais caro mas que vai durar muitos anos vale mais a pena do que algo mais barato que vá estragar em alguns meses. Mas claro que tudo tem limites” afirma a blogueira que confirma desde a facilidade de comunicação dos Z’s até sua consciência na hora de consumir.

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Outra história inspiradora é a de Ana Lia Carneiro (14), do blog Poderosa de Rosa. Aos 11 anos, ela costumava sofrer bullying no colégio e resolveu criar o blog como uma válvula de escape.  “Foi como uma libertação para mim, foi a forma que encontrei de dizer que as pessoas não me calariam e que eu não me sentiria um patinho feio por não ser magrela ou por óculos de grau”, explica a adolescente. A sinceridade do conteúdo postado começou a atrair cada vez mais leitoras, que se identificavam com os gostos da menina e seu estilo. Muito além de dicas de moda, looks interessantes e fotos bonitas, Ana passa a mensagem de aceitação e respeito pelas diferenças. “Nunca tive a intenção de ser melhor do que ninguém, apenas de ser eu mesma, que as pessoas respeitem isso e aprendam a conviver. Consegui isso através do blog”. De patinho feio da sala de aula, Ana passou a digital influencer. Atualmente, o blog está com quase 100 mil seguidores no Instagram, espaço no site da revista Capricho e muitos acessos. O segredo para tanto sucesso? A combinação história inspiradora e transparência. Outra característica importantíssima para a Geração Z. Para eles não é preciso passar a imagem de vida perfeita, sem problemas e preocupações, pelo contrário: eles querem relatos reais.

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Felipe Anghinoni, um dos sócios fundadores da Escola Criativa Perestroika, conversou com a gente sobre esta geração e fez questão de ressaltar a necessidade que esses jovens têm de ser e de se relacionar com marcas transparentes: “Para eles ser transparente é cool. Se estão tendo um dia ruim, se gostaram ou não de determinada coisa, eles postam. Não têm tantos filtros como nós”, explica Felipe. Quando se trata de marcas, a filosofia continua. Essa nova geração não se impressiona com a modelo de cabelo e corpo perfeito na campanha publicitária, eles querem realidade, identificação com aquilo que está sendo apresentado. O que faz diferença é a história por trás do produto e o que ele vai agregar em suas vidas. Outra curiosidade apontada na pesquisa realizada pela Perestroika sobre a geração Z é o fato desses jovens mudarem rapidamente de comportamento, característica que recebeu o nome de personalidade elástica. “Durante a pesquisa, analisamos o perfil de uma menina por três dias, e em cada um deles ela postou fotos de estilos muito diferentes, um dia estava mais feliz, outro reflexiva e outro relax. Quando questionamos sobre isso, ela respondeu que aquela era a “fase hippie” dela. Isso que a “fase” durou apenas um dia”, conta Felipe. Se olharmos essa característica do ponto de vista da comunicação e do mercado, podemos ver que essa geração é um grande desafio para quem anuncia e vende. Já que os veículos apresentam a seus anunciantes a ideia de terem acesso a um público-alvo específico, que vai se interessar em receber determinada informação. Mas, quando todos podem ser o que quiserem, e mudar isso constantemente, como segmentar e posicionar precisamente a mensagem? Antes de tentar pensar em responder essa pergunta, vale lembrar que os Z’s têm uma relação diferente com o consumo e as marcas, principalmente se estivermos falando de grandes grifes. Ao contrário das outras gerações, que tinham nas marcas uma maneira de ganhar status e se destacar no grupo, esses jovens se preocupam com o custo-benefício, e não buscam coisas caras. Muito pelo contrário, para eles a moda é uma maneira de se expressar e não um padrão a ser seguido. Eles investem seu dinheiro no que realmente gostam, independente da assinatura na etiqueta.

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A blogueira Bruna Pratts (19), criadora do Blog da Bruna Pratts, apesar de estar sempre pesquisando sobre roupas e tendências, procura fugir dos altos preços e da compra por impulso. Ela conta que busca sempre peças curinga, que possam ser combinadas de diversas maneiras e que tem certeza que vai usar. Se o item desejado não tiver um valor que considera razoável, nada feito! Ela não leva. “Para eu comprar tem que ter um preço compatível com o que eu acho aceitável. Muitas marcas tem deixado a desejar nesse sentido. Cada uma quer seu espaço e consequentemente não pensa no bolso do consumidor”. No caso de Bruna, cada compra nova vira um post. Ela recomenda – ou não – produtos, lojas, restaurantes… experiências pessoais viram fonte para outras meninas, que antes de colocar no carrinho, procuram saber tudo sobre produto almejado. Essa é outra informação importante sobre os Z’s, eles pesquisam cada detalhe sobre o que querem comprar. E depois que compram, criam seus próprios vídeos ou textos contando qual foi o resultado. É um ciclo contínuo de informação, propaganda da forma mais autêntica possível. Toda essa teia de informação em volta da Geração Z serve também para mudar a noção que eles têm de espaço. Para os Z’s o outro lado do mundo é logo ali. Eles não apenas se sentem cidadãos do mundo, como também se relacionam dessa maneira. O fato de você ter um círculo de amigos no colégio é basicamente um acidente geográfico, um combinado de pessoas que convivem e podem ou não se dar muito bem. Grande parte dos amigos desses jovens mora em outras cidades ou países, eles se conectam através da internet e têm laços tão verdadeiros quanto os criados com as pessoas que encontram diariamente.

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A estudante de Administração Aline Humphreys (19), divide seu o tempo entre a faculdade, o trabalho e os amigos. Os que estão por perto e os que moram longe. Duas das melhores amigas de Aline foram morar em outros lugares, uma em São Paulo e a outra fora do país, em Londres. As meninas agora utilizam da tecnologia para continuar participando uma da vida da outra. “A gente está sempre conversando pelo Whatsapp ou Facebook, contando as novidades e matando a saudade”, conta Aline. Os Z’s são o resultado de um mundo superconectado, sem barreiras geográficas ou de pensamento. É uma geração consciente, realista, criativa e inovadora que promete seguir os passos dos Millennials e quebrar ainda mais paradigmas. Tudo indica que eles vão se envolver em causas relacionadas ao meio ambiente ou projetos sociais. Vão tentar acabar com hierarquias dentro das empresas. Vão reforçar a ideia de fazer do hobbie um trabalho. Uma nova geração, sucessora aos Z’s, já começa a aparecer e ganhar espaço nas redes sociais e na produção de conteúdo. Para ficar de olho no que está vindo por aí, vale seguir a vlogueira Giovana, do canal Gigi Tagarela, que com apenas seis anos, já é sucesso no Youtube. Ao lado da mãe ela conta detalhes do dia a dia, responde perguntas e realiza desafios. Alguns vídeos já chegam a contabilizar 11 mil visualizações, tudo isso, em menos de um ano. Alguma dúvida de que essa geração vai longe?

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BABY BOOMERS

Nasceram no início de 1960 até o final dos anos 1970. O nome “baby boomers” foi dado devido ao aumento na taxa de natalidade nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Esse grupo enfrentou o mundo de pós guerra e guerra fria. Foram educados com muita disciplina, aprenderam a obedecer hierarquias, no ponto de vista profissional valorizam a ascensão dentro da empresa, mesmo que isso leve anos. Eles tiveram contato com a internet já adultos, e precisaram se adaptar a essa realidade.

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MILLENNIALS

Cresceram em um período de crescimento econômico e acompanharam de perto a revolução tecnológica. São multitarefa, se relacionam com diversas áreas e buscam por equilíbrio entre o profissional e o pessoal, vêem o trabalho como uma fonte de satisfação e não uma obrigação.

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GERAÇÃO Z

Ultraconectados, não existe diferença entre online e off-line. Produtores de conteúdo, gostam de consumir bens culturais ao invés de bens materiais. Não seguem padrões impostos por marcas e buscam a transparência em tudo que fazem.

por equipe Revista Catarina
fotos: divulgação
foto Isa: Hugo Barbieri, especial
pauta publicada na Revista Donna, cliente Catarina

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