Geração Z: conectados, criativos e adaptáveis


Novidades todos os dias e conexão obrigatória. Talvez você pense que estou falando dos seus filhos, mas na verdade, estas são apenas algumas das características mais marcantes da Geração Z. Ainda que criativos, adaptáveis e extremamente autênticos, os jovens que nasceram após o ano de 1995, são muito diferentes daqueles que chamamos de Millennials, ou Geração Y (nascidos entre 1980 e 1994), considerados altamente treinados e educados, preparados para liderar e ganhar o mundo fazendo história. Já os jovens da Geração Z, nasceram em meio a uma crise econômica, cresceram vendo seus pais cortar gastos, perder empregos e solucionar problemas. Os Zs preferem as relações humanas, gostam de se relacionar. Não ligam para gêneros, Aprenderam que sair de casa para trabalhar é motivador.

Popularmente chamados de Geração Tsunami, os jovens Zs estão habituados com a transparência, resultado da conectividade e instantaneidade que vivemos por causa da Internet. Buscam por sinceridade, por relações emocionais até mesmo com marcas e serviços. Mudam todo dia, principalmente seu vocabulário. Ser uma pessoa real é o mais importante para os Zs, que procuram seus ídolos naqueles mais semelhantes, acessíveis e que buscam por valores reais. Os jovens Zs estão sempre em busca de novas postagens, gostam de compartilhar seus looks, criam laços com seus amigos virtuais e entendem as relações das novas comunidades, novas moradias e gêneros. Ao contrário dos Millennials, os Zs são enérgicos, sabem valorizar suas escolhas de consumo e procuram sempre por boas oportunidades, pesquisando na rede e compartilhando informações.

A crítica e a contestação fazem parte do dia a dia dos Zs, habituados com as redes sociais e seu poder em resolver qualquer situação. Vídeos, fotos e aplicativos são tão corriqueiros em suas vidas que são levados a sério ao ponto de virarem profissão. Ser um youtuber e ter um canal para se expressar nunca foi tão importante! Pluralistas e engajados em ativismo e causas humanitários, a ideologia e crença dos Zs é evidente e latente e, estão sempre em busca de soluções através da comunicação e do conteúdo. O resultado é a grande quantidade de redes sociais e mídias à disposição dos jovens, para compartilhar e produzir qualquer tipo de informação.

As redes sociais são o ponto de encontro do Zs. Uma leva de jovens comunicadores e comunicativos, que trazem seu cotidiano para todos. Os acessos são altíssimos e os canais do youtubers chegam a mais de cinco milhões de inscritos. Entre os destaques está o vlogger catarinense Christian Figueiredo, do canal Eu Fico Loko, com 7,3 milhões de inscritos; a blogger mineira Bruna Vieira, do blog e canal Depois dos Quinze com 1,3 milhão de inscritos, e o blockbuster carioca Felipe Neto, que tem um canal com seu nome e 8,5 milhões de inscrições. Os vídeos são a respeito de coisas dos seus contextos diários e paródias divertidas.

Quando falamos da Geração Z e seus destaques internacionais, podemos citar Jaden e Willow Smith como grandes representantes dos Zs. Os irmãos, filhos de Will Smith e Jada Pinked gostam de moda sem gênero, atuam, cantam e estão sempre na mídia. Jaden usa unhas pintadas, gosta de looks com sobreposições de saias, mesmo sendo menino. Willow usa cabelos raspados e maquiagem colorida. Ambos estampam campanhas de grandes labels internacionais.

Jaden e Willow Smith

Jaden e Willow Smith

Moda e comportamento da Geração Z

A Geração Z está movimentando o comportamento atual. O consumo, a moda, a alimentação, a forma de expressão. As imagens são valorizadas e tudo pode virar um “meme” na Internet. Os Zs estão conectados e ligados em todos os estímulos ao seu redor. Nina Giglio, pesquisadora de tendências do WGSN, fez um estudo específico da Geração Z, que consegue decifrar muito sobre estes jovens. Para Nina, as gírias dos Zs viralizam tanto na rede que acabam virando cultura popular. Nina lembra que os Zs vêem a cadeia de trabalho de outro aspecto, não piramidal, mas sim de forma horizontal e linear. Passarão por diversas funções e carreiras porque seus objetivos é experimentar. É muito menos sobre salário alto e muito mais sobre crescimento, realização e estabilidade, onde as empresas precisam entender que mais do qualquer coisa é preciso oferecer como benefício a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Nina está focada no estudo da Geração Z como comportamento e respondeu algumas perguntas sobre o assunto.

Revista Catarina: Quem é a Geração Z e qual seu papel no consumo atual?

Nina Giglio: A geração Z, composta pelos nascidos entre 1994 e 2010, caracteriza-se por utilizar a Internet como plataforma para seu ativismo. Os chamados Clicktivistas querem – e podem – mudar o mundo, e marcas que falam com essa geração devem estar atentas para empoderá-los nesse sentido. Uma comunicação de marca que permita e promova a interatividade, assim como campanhas que respeitem a pluralidade de gênero, raça e religião são elementos-chave para o sucesso com esse público. Plataformas de colaboração e co-criação, que liguem as marcas à reação dos consumidores, são outro grande fator nesse cenário.”

RC: Qual a relação da moda com a Geração Z?

NG: Se pensarmos especificamente na geração Z, é importante que marcas de moda estejam alinhadas com os valores desse público. Os Zs são pragmáticos e colocam a possibilidade de fazer diferença no mundo como prioridade. Nesse sentido, a marca de moda que apresentar um produto acessível e ligado à uma causa relevante para este público sairá na frente. Além disso, a geração Z valoriza a oportunidade de colaborar com as marcas de moda. Assim, negócios que tornem estes jovens parte de atividades fundamentais – como nomear um produto ou decidir por um modelo – ou os integre à campanhas de mídias sociais terão uma possibilidade de sucesso maior.
Por outro lado, os Zs demandam honestidade, autenticidade e transparência das marcas, e não hesitam em cobrá-las por isso. Os jovens dessa geração possuem um filtro extremamente rápido – apenas oito segundos – para decidirem se consideram uma informação relevante ou não. Nesse sentido, os negócios precisam estar prontos para reagir à eventos culturais a qualquer momento, com respostas autênticas e com bom humor, criando campanhas que, em muitos casos, se tornam virais.

Nesse ano, vimos exemplos como a coleção de primavera de Marc Jacobs, inspirada pela decisão dos tribunais estadounidenses em 2015 de legalizar casamentos do mesmo sexo. O estilista incorporou as cores da bandeira americana na coleção e apresentou figuras influentes como a ícone transgênero Lana Wachowski na campanha. É fundamental que qualquer iniciativa dos negócios esteja dentro do universo da marca e se relacione com o público alvo. Marcas devem estar preparadas para responder às demandas do público através das mídias sociais e sustentar uma comunicação transparente, empoderando o consumidor.

Nina Giglio

Nina Giglio

Marcas e relacionamento

A escola criativa Perestroika, focada em cursos de empreendedorismo, criatividade e tendências de mercado, abrange a Geração Z. Felipe Anghinoni, um dos sócios fundadores da Perestroika, conversou com a Catarina e falou sobre a necessidade que estes jovens têm de se relacionar com as marcas que prezam pela transparência com o consumidor. A Perestroika fez um estudo sobre a Geração Z e um dos principais aspectos da pesquisa é a relação dos Zs com as marcas de consumo. Felipe lembra que essa nova leva de jovens não se impressiona com a modelo de cabelo e corpo perfeito na campanha publicitária. Eles querem realidade, identificação com aquilo que está sendo apresentado. A diferença está na história por trás do produto e o que irá agregar em suas vidas.

“Para eles ser transparente é cool. Se estão tendo um dia ruim, se gostaram ou não de determinada coisa, eles postam. Não têm tantos filtros como nós. Durante a pesquisa, analisamos o perfil de uma menina por três dias, e em cada um deles ela postou fotos de estilos muito diferentes, um dia estava mais feliz, outro reflexiva e outro relax. Quando questionamos sobre isso, ela respondeu que aquela era a “fase hippie” dela. Isso que a “fase” durou apenas um dia.”

Segundo Felipe, a mudança rápida de comportamento é outra característica dos Zs, chamada de personalidade elástica. O grande desafio é para quem anuncia e vende, afinal essa personalidade elástica acaba não segmentando apenas um público-alvo. As grandes grifes era importantes para as outras gerações, que se identificam com o status proporcionado por labels poderosas. Os Zs preocupam-se com o custo-benefício, não buscam coisas caras. A moda para eles é uma maneira de expressar-se, por isso procuram investir em algo que gostam, independente da etiqueta da peça.

Felipe Anghinoni

Felipe Anghinoni

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