Fake Fur, é realmente ético?

Nos últimos meses ouvimos que grandes marcas de luxo como Gucci, Michael Kors, Yoox, Net-A-Porter, Givenchy, Giorgio Armani e Tom Ford anunciaram o fim do uso das peles animais em suas coleções. Em sua maioria alegaram que não viam sentido em participar de uma indústria que fomenta a crueldade contra animais, além da preocupação com sustentabilidade.

Em contrapartida temos muitos questionamentos à fazer para a indústria da moda e têxtil, pois parar de usar pele animal não é a solução mas sim uma parte dela, fazer uma substituição realmente ética e que não gere poluentes para o planeta é o segundo passo. Um dos principais questionamentos em torno da substituição da pele animal, por pele fake, é o ambiental.

Sabemos que a pele animal, mesmo sendo obtida por processos cruéis, é biodegradável justamente por ser de origem orgânica e animal. Ao contrário da pele sintética que não é biodegradável,  já que é feita de modacrílicas e polímeros acrílicos. Em um comparativo de impacto ambiental publicado em 2014 pela Comissão Europeia, nove fibras sintéticas foram analisadas, e foi comprovado que a fibra acrílica é a mais prejudicial ao meio ambiente.

Devemos lembrar que  o poliéster é essencialmente apenas plástico transformado em fio, e o plástico pode levar de 500 a 1000 anos para ser biodegradável. Também sabemos que a indústria da moda libera nos oceanos uma quantia enorme de microplásticos derivados de microfibras sintéticas – acrílico, poliéster e rayon -, devido aos processos de lavagem necessários ao longo da produção desses tecidos.

Mas apesar das fibras acrílicas serem poluentes, sua representatividade total na cadeia produtiva de moda é de apenas 10%, sendo a porcentagem das peles sintéticas ainda menor, de acordo com a Comissão Europeia. Um dos caminhos que tem se mostrado mais viáveis para deixar de usar pele de origem animal, é desenvolver tecnologias para reciclar e reduzir o impacto das peles fake e dos poluentes que ela gera.  

Devemos nos munir de informações sobre as peles fake e exigir transparência do mercado têxtil, das grandes ou pequenas marcas que consumimos, levar em consideração a ética aplicada à esses processos, tanto de produção, quanto de descarte é crucial para a construção de uma cadeia realmente sustentável e não apenas de fachada.

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