Entrevista: David Lee

Com um release belíssimo e com uma alma que pouco estilistas carregam , David Lee conquistou nossos olhos e corações com uma coleção incrível no Dragão Fashion mês passado.

Além disso o mais primordial é o que podemos sentir, não apenas nas passarelas, mas nas peças e no nosso bate papo. Dono de uma essência única e com uma humildade cativante, David nos recebeu com muito carinho.

A coleção que retrata o  interior como primordial, foi um sucesso, que encantou. A imaterialidade cultivada no presente e possibilitando um maior contato consigo, foi o retrato do que vimos no passarela. .Seria o encontro com a felicidade? Talvez. Nomeada de  “Avesso” a coleção é sobre a preciosidade dos sentimentos e das emoções.Um possível questionamento sobre o que realmente é importante na vida moderna. A coleção propõe um olhar poético sobre o interior de nosso ser através de uma silhueta que mistura alfaiataria, roupa íntima e formas atléticas. A construção das peças torna-se evidente por meio dos acabamentos expostos e demonstra o valor dos processos que antecedem o produto final. Um desenho de tempo que revela o interno das roupas assim com o elementos muitas vezes desconhecidos. Em uma colaboração com a marca Linhas & Cores a roupa íntima ganha visibilidade revelando partes do corpo e também sua vulnerabilidade.A cartela de cores é intensa compreendendo preto, branco, cinza, off white, amarelo, laranja, rosa e roxo juntamente de uma estamparia vibrante impressa pela Amaré. Além dos crochês e tecidos desenvolvidos em tear manual com fios da Círculo.Sarjas e tricolines da Vicunha Têxtil se misturam com crepes, viscose e moletom. Cadarços ,fitas e etiquetas Haco, finalizam com sutileza a estética da coleção.

Confira nossa bate papo com David Lee abaixo:

Revista Catarina:

David: A ideia surgiu quando fui submetido ao livro “A Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord. No desafio final do Concurso Novos Talentos GQ +Reserva. O autor faz uma crítica ao consumo, sociedade e capitalismo. Apesar de o livro ter sido publicado em 1967 ele se faz bastante atual e minha leitura principal foi: de o quanto que nosso interior, no caso os sentimentos e emoções são colocados em segundo plano e a meu ver são primordiais. Juntando tudo, essa ideia conversa muito sobre o que acredito quanto marca e este é sempre um fator muito relevante na construção e inicio de qualquer coleção.

Revista Catarina:

David:  Apesar de a marca levar meu nome, a personalidade da marca é distinta da minha personalidade. Nela coloco tudo o que acredito. Nesta temática confesso que tem bastante de mim. Como essa ideia de sentimentos é algo abstrato, busquei retratar pela persona da marca. Escolhi dez palavras que resumissem sentimentos e emoções que esta persona considera importante e isso se transformou em uma das estampas da coleção, a estampa caça palavras. Passando a ideia ainda de buscar, vivenciar e assinalar essas palavras, no caso os próprios sentimentos. A cartela de cores também foi parte importante, pois era bem vibrante vindo da ideia de como nosso interior é intenso, orgânico, vivo. Retratar tudo isso foi desafiador e me fez também perceber que a intensidade de cada pessoa com cada sentimento é relativo.

Revista Catarina:

David: As referências vieram de balé, pois também estava falando de corpo e como esse corpo se expressa e os bailarinos executam isso com maestria. Também busquei referências no fazer de acabamentos de costura, com a ideia de a roupa ter sido feita pelo avesso. Teve o trabalho do fotografo espanhol Gerardo Vizmanos, fotografias de Raio X e radiação infravermelha, esta ultima também se tornou uma das estampas da coleção. Onde imaginei elementos expostos em uma câmera termográfica onde as cores são captadas de acordo a temperatura do corpo e se transformou na estampa “flower pop”, onde há uma repetição de uma flor que também se misturou a estética pop arte.

Revista Catarina:

David:  Diria que é importante ter uma visão ampla de todo o processo: desenho, modelagem, costura, styling e comunicação. É tudo uma soma, saber de modelagem amplia teu design, facilita o processo de desenvolvimento das peças a meu ver esses processos de construção do vestuário são muito importantes e depois disso buscar sua singularidade através de experimentação, gostos e estudo.

Revista Catarina:

David: Gostaria de deixar um recado de otimismo e dizer que ainda vale a pena sonhar e acreditar. A sociedade, o mundo e sendo bem local o Brasil não trazem incentivos, mas ainda assim se entregue ao que te faz feliz.

O mais valioso não é palpável, mas sim sentido.

Apoio: 

Haco

Vicunha

Amaré

Círculo

SeteMarias

Linhas& Cores

 

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