Comida como ato político

Vivemos um momento onde iniciativas contra o desperdício de alimentos tem se tornado mais recorrentes, e sendo adotadas por consumidores preocupados com o futuro alimentar do planeta. Muito além de escolhas pessoais, ficar atento ao destino dos alimentos descartados é uma atitude comunitária, de cunho social, já que a fome é um problema global, e nós (sociedade) ainda descartamos ⅓ dos alimentos produzidos mundialmente. E isso é alarmante.

O movimento “desembale menos, descasque mais”, questiona o poder que estamos dando as grandes indústrias. No momento em que permitimos que elas ditem o que iremos comer, como iremos comer e de onde vem a nossa comida, abrimos mão do nosso poder de decisão e passamos a consumir produtos industrializados. Lembrando que essas indústrias escolhem quais produtores irão apoiar, e que em sua maioria não praticam uma agricultura ou pecuária que você aprovaria.

A gastronomia é um meio de reconstruir a nossa relação com a comida, que a muitas décadas não tem sido saudável e não só em relação aos alimentos, mas também em como nos sentimos em relação ao que comemos, ao nosso corpo e perante a sociedade. Precisamos construir novas narrativas, olhar para dentro e escutar nosso corpo, e observar o lado externo e repensar nossas escolhas, afinal comida é também um agente de transformação social.

Para ilustrar essa reflexão, selecionamos alguns movimentos que intervém no desperdício de alimentos e na forma como preparamos e lidamos com eles.

 

  • Inglorious Fruits and Vegetables

 

A Inglorious Fruits and Vegetables é uma campanha da rede de supermercados francesa Intermarché, que propõe uma mudança contra o desperdício. Frutas e legumes imperfeitos, (mas totalmente aptos para consumo) passaram a ser vendidos com desconto e sendo valorizados ao invés de descartados.

 

  • Real Junk Food

 

O Real Junk Food é uma rede mundial de projetos, instituições de caridade e voluntários que busca abolir o desperdício alimentar, e tem como base de valores o  conceito “pague o que você acha que vale”. Eles recolhem alimentos descartados mas que ainda estão em condições de consumo, e os tornam acessíveis ao consumo humano. O Real Junk Food acredita que é um direito humano ter acesso à comida e que a demanda e o desperdício desenfreado de alimentos precisam parar.

“Acreditamos que isso precisa acontecer durante a nossa vida, para garantir que a próxima geração não sofra por causa de nossa ignorância”.

 

  • ONG Banco de Alimentos

O Banco de Alimentos (ong brasileira) atua em três frentes. A primeira é a da colheita urbana, um processo que consiste basicamente em coletar excedentes de estabelecimentos comerciais e transportá-los para instituições de caridade. Não se trata de distribuir restos de comida, mas sim alimentos que ainda nem foram (ou não irão) para a panela e estão dentro da validade, como legumes, massas, frutas, entre outros. Nossa segunda frente é a da educação, na qual levamos palestras, workshops e oficinas aos profissionais das próprias ONGs – cozinheiros, cuidadores, voluntários ou auxiliares- e para estudantes do Centro Universitário São Camilo, ensinando formas de manipular adequadamente os alimentos e evitar o descarte de partes com alto valor nutricional. Com o intuito de fazer ainda mais a diferença, estendemos essas ações educativas para a população em geral e iniciamos nossa terceira frente: a conscientização da própria sociedade.

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