Cidades Invisíveis: Eu sou porque nós somos

A moda como conhecíamos chegou ao fim. Entre todas as mudanças pelas quais passamos na vida, as mais importantes são marcadas por paradoxos. São aqueles momentos em que o desconhecido se apresenta e nos convida a sair da zona de conforto. Algumas são mais radicais do que outras, mas toda mudança traz consigo as próximas páginas da nossa história. Nas últimas décadas, percebemos que acompanhar a grande fábrica de tendências que a indústria da moda se tornou é humanamente impossível. Não só para quem consome, mas também para quem produz.

As mudanças da moda estão muito além das roupas: envolvem todas as esferas da existência. A maneira como nos relacionamos, nossas sombras psicológicas, as escolhas de como nos alimentamos, os esportes que praticamos, música, espiritualidade, meio ambiente… Tudo é cultura, tudo é vida, tudo está mudando. Roupas e outros bens de consumo deixarão de ser meros objetos e irão se transformar em sujeitos para construir com as pessoas uma relação mais emocional. A responsabilidade por esta nova relação é de todos: governo, indústria, mercado e consumidor. A antiga alienação do “comprar pelo comprar”, “comprar para acumular”, “comprar para ficar na moda” foi substituída por empatia e colaboração. Essas características são mais fortes do que qualquer trend e marcarão a experiência humana nos próximos anos.

Mais do que nunca, a moda deverá olhar para as pessoas. Com hábitos, vontades e interesses diversos e misturados, hoje as pessoas são menos rotuláveis e previsíveis. Estamos em fase de transição para uma nova era. Para alguns já é uma realidade, para outros ainda vai começar. Uma marca que nos serve de inspiração e que já vem atuando no mercado com um pensamento diferenciado é a Cidades Invisíveis, que através do empreendedorismo social tem conquistado o mercado e ajudado em suas pequenas ações a melhorar o mundo.

O Cidades Invisíveis nasceu em 2012 querendo ser uma empresa social. A ideia era registrar em imagens centenas de vidas privadas da liberdade básica de sobreviver para manifestar tantas “cidades invisíveis” que existem perto da gente. Gerar reflexão e pensamento crítico sobre o que somos e quem queremos ser como sociedade.

Numa conversa com o idealizador do projeto Samuel Schmidt descobrimos um pouco mais sobre a história e essência da marca. As fotos passavam por uma intervenção artística: tintas óleo, aquarela, ilustração gráfica. Cada artista dava cor e vida às fotos que fazia dentro das favelas para que fossem transformadas em estampas. A primeira camiseta, uma foto do Alysson, que me olhava à espreita entre a cerca disforme de sua casa, no alto do morro da Vila Aparecida, virou estampa com releitura do amigo e artista urbano Danka Umbert. Talvez, lá atrás, não soubesse exatamente o que o projeto se tornaria. Mas desde sempre usou a moda como ferramenta de transformação social.

Segundo Samuel empreender socialmente é enxergar o mundo e o mundo do trabalho à partir de alguns valores: ética, propósito, solidariedade, sustentabilidade. É colocar os valores sociais acima do lucro. O lucro é importante para os negócios, mas não precisa ser o único objetivo das empresas. É possível que ele seja a consequência dos negócios. 85% da riqueza do mundo está nas mãos das corporações, e precisamos quebrar o paradigma que eles – os negócios – prejudicam o meio ambiente e desvalorizam a mão de obra. A ideia é inverter a lógica. É colocar aqueles valores dentro destas corporações. Por quê não podemos conseguir resolver problemas sociais por meio delas?

Nascido na década de 80, ele acredita que sua geração é a geração da transformação. A geração do real valor que a vida tem. A indústria da moda, por exemplo, é uma das que mais poluem o meio ambiente e que impulsionam o consumo sem racionalidade por produtos que se transformam apenas em fetiches. Compramos demais. E compramos errado. Essa cadeia também precisa ser rompida. Precisamos desenvolver marcas comprometidas com o impacto social. Uso de materiais reciclados, valorização da mão de obra, consumo consciente e sustentável. Já é algo que estamos conseguindo observar hoje, a nascente de várias marcas que se propõem a alcançar um propósito mais elevado da sua existência. Devemos saber o que compramos. Devemos saber o que usamos. E ser responsáveis sobre cada ação. Porque toda ação gera algum tipo de impacto. Pode ser negativo, ou positivo. Só depende da gente.

Hoje o Cidades Invisíveis está totalmente comprometido com impacto social positivo. Começamos com ações assistencialistas, como doações de cestas básicas, roupas, cama, produtos de higiene, necessidades básicas. Aos poucos fomos observando que precisávamos ir além destas ações. Foi assim que surgiu projetos em diversas áreas: saúde, com grupo de médicos, psicólogos, veterinários; educação, com nossa Kombi cultural; sessões de cinema ao ar livre; urbanização da favela, com construção de praça pública, casas, hortas e grafites. Nossa energia se voltou para levar o acesso integral da cidadania. Levar o que chamamos de “direito à cidade”, aqueles que poucos da sociedade tem acesso.

Este ano nos concentramos no desenvolvimento do projeto Bonsai, um espaço de trabalho colaborativo destinado à capacitação de mulheres da favela. Aulas de corte e costura, bordado, informática e nutrição. Um espaço de desenvolvimento integral para as mulheres. Nossos produtos serão produzidos por elas, gerando trabalho e renda. Um espaço no qual elas possam crescer com independência.

A árvore bonsai não tem nenhum problema, ela só fica pequena por causa do vaso pequeno que foi plantada. Queremos ser isso para elas: um espaço para que elas possam se libertar e serem quem elas quiserem ser, com autonomia e dignidade.

A essência da marca Ubuntu – Eu sou porque nós somos é uma filosofia africana, cujo significado se refere a humanidade com os outros. Trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade e significa que “uma pessoa é uma pessoa por meio de outras pessoas”.

Os produtos da Cidades Invisíveis têm alma e propósito. São um elogio à arte, como tentativa de mudar vidas a partir da comercialização deles, e um estímulo à nossa capacidade de transformá-las. Cada um tem uma história, uma narrativa daquilo que somos e o que podemos ser como sociedade. São desenvolvidos para um mundo melhor a partir da arte. Eles querem, literalmente, vestir uma nova forma de enxergar nosso mundo. Personalidades no cenário nacional e mundial já adoram essa ideia e são grande apoiadores da marca. Nomes como Thaila Ayala, Flávia Alessandra ,Paola Oliveira ,Daniela Suzuki, vestem e apoiam essa ideia, ajudando assim a tornar possível esse sonho de juntos fazermos um mundo melhor.

Nós aqui da Catarina apoiamos e admiramos muito essa iniciativa, fazer parte disso é engrandecedor , e nos faz acreditar que marcas como essas são a grande aposta no futuro da moda. Cada ação realizada a partir das vendas dos produtos, ajudam a transformar o mundo, nos enchem de sorrisos e muito amor. Faça parte dessa ideia e compre Cidades Invisíveis.

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