Lab

Somos carentes. Isso á fato. Vivemos esperando que nos representem de alguma maneira, queremos visualizar nossa cultura e identidade nacional escancarada. Nós, brasileiros, estamos cansados dos escândalos, da falta de crença na política, de lutar todos os dias para ter uma realidade melhor. Por isso, nos sentimos recompensados quando vemos que a nossa cultura é reconhecida. Não precisamos ir muito longe para lembrar da felicidade de todos ao ver a abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em minutos as redes sociais enalteciam a melhor versão da cultura nacional transmitida para o mundo todo. Todos sentiram um alívio por ver a imagem comunicada como gostariam. Ontem, no desfile que fechou o segundo dia do SPFW, vimos algo semelhante. A estréia da LAB, marca dos artistas e irmãos Emicida e Evandro Fióti, que apresentou a coleção Yasuke, sob a direção criativa d​e ​João Pimenta, foi um desses momentos que ficam registrados na história do evento. A força de representar as ruas em uma passarela de uma semana de moda, fortalece o movimento de que todos buscam algo que vai muito além de uma peça em si. É preciso ser mais do que uma marca, quando há um movimento maior, onde a sociedade é representada, tudo faz mais sentido. A moda ainda exerce o seu papel de comunicar padrões e comportamentos, mesmo que muitos acreditem que ela se perdeu pelo caminho. Não é verdade. Basta um pequeno (grande) movimento levantar a bandeira da identidade nacional e logo vemos o reconhecimento público de tal atitude. Principalmente se isso acontece em um cenário hostil. Ops, falei “cenário hostil”? Pois é, uma semana de moda é um cenário hostil se for falar de realidade. Looks e mais looks do dia somados a criações de passarela, tornam a imagem de uma fashion week hostil para quem vê de fora. Lógico, que dentro do processo da indústria da moda, ela é fundamental para a engrenagem, mas isso não fica tão claro para quem não trabalha diretamente no meio. E mesmo que a imagem de elitista venha sendo substituída pela democratização da informação através da velocidade digital, são nesses momentos que a moda dá um passinho para frente no Brasil.

Quando esse cenário citado se abre e permite cumprir o seu papel real, de ser um grande palco para comunicar algo relevante para a grande massa, o melhor acontece, a moda volta a ter seu valor reconhecido. O frescor da atitude da LAB traz muito mais do que uma coleção, traz a lição de que há uma carência a ser suprida. Afinal, não houve nada de inovador na passarela ao colocar um casting diversificado, com homens, mulheres, negros, brancos, magros, gordos… O mercado vem se abrindo para todos os seguimento, principalmente em alguns casos como o plus size. A diferença está em apresentar a diversidade com identidade nacional. Aquilo que faz com que os olhos queiram ver mais do que a roupa que os modelos vestem. É a roupa que comunica e serve como instrumento de expressão, exatamente do jeitinho que a gente gosta.

A coleção Yasuke da LAB estará em pré-venda logo após o desfile no
site da marca (www.labfantasma.com ) e disponível a partir de 7 de
novembro, em multimarcas de _streetw_ear por todo o país e, claro, em
stands dos shows de Emicida – onde toda a história começou.

FICHA TÉCNICA

Coordenação Geral: Emicida e Evandro Fioti
Direção de criação: João Pimenta
Direção de arte: André Juventil
Stylist: Thiago Ferraz

Assistente stylist: Marina S. Helena
Direção desfile: Paulo Borges
Produção desfile: Raissa Fumagalli
Trilha: Dj Duh e Emicida
Beleza: Marcos Costa by Natura Aquarela
Assessoria de Imprensa: Press Pass
Marketing: Karen Cavalcanti
Confecção: Elimar Santos

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