Após diversos erros racistas, varejistas buscam diversidade

Após diversas situações embaraçosas e constrangedoras causadas pelas grandes redes de fast fashion, passamos a discutir o papel dos compradores e designers, responsáveis por desenvolver, comprar e selecionar os produtos que chegam até às nossas prateleiras. Encontrar peças de vestuário que se utilizam de elementos como: o símbolos do Holocausto em um top na Zara , um slogan que trivializa o consentimento sexual em uma peça do Forever 21, ou palavras como “escravo” e “puta” usadas como detalhes decorativos em camisetas na ASOS e Missguided, é inadmissível. E mesmo que as marcas, peçam desculpas, raramente explicam como esses erros acontecem.

No entanto com o acesso fácil às mídias sociais, os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre apropriação cultural, mensagens depreciativas e referências insensíveis. Eles buscam informações e estão cobrando das marcas uma posição forte e que seja coerente ao novo mercado global. Em resposta, vários varejistas dizem que estão reforçando o processo de aprovação de projetos e investindo em tecnologias de triagem digital.

A H & M, uma das maiores varejistas de vestuário do mundo e uma infratora reincidente, foi obrigada a retirar de circulação um moletom infantil com a frase “macaco mais legal da selva” que foi modelado em materiais de marketing por um jovem negro. A descrição, causou diversos protestos pelo mundo. Após esse fato a marca decidiu se associar a uma empresa de advocacia para liderar um nova equipe focada na diversidade global e inclusão. Segundo a advogada da empresa em entrevista , ela afirma que a H & M quer ser responsabilizada pelos seus atos. Eles acreditam que nesta nova era de transparência o que a marca defende é importante para as pessoas.

A questão principal quando falamos nesse assunto é que essas marcas se especializaram em roupas de baixo custo , que precisam ser rapidamente produzidas e cresceram muito rápido nos últimos anos, através do consumo exagerado e dos grandes avanços do fast fashion. E o maior problema é que grande parte dos seus produtos são desenvolvidos por terceirizados, que muitas vezes se mostram problemáticos. Quando a moda é terceirizada, “há muito menos controle, muito menos supervisão e envolvimento da empresa em todas as etapas do processo”, disse Felipe Caro, professor de administração da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que passou anos. estudando Zara.

No ano passado, a marca Zara também passou por diversas críticas quando utilizaram as imagens de rãs em uma saia que se assemelhavam a um personagem de desenho animado chamado Pepe, que foi designado como símbolo de ódio do alt-right pela Liga Anti-Difamação. A saia foi projetada por um artista espanhol independente baseado em Londres. Em uma declaração na época, ele disse que os sapos não tinham “nenhuma conexão com qualquer coisa relacionada a ódio, violência ou discriminação”. Ricardo Cavolo, outro artista que desenhou para a mesma coleção, disse em um email que o processo de design “foi muito rápido”. Ele passou dois dias na sede da Zara na Espanha, criando pinturas em denim que a empresa reproduziu sem fazer sugestões ou mudanças, ele disse.

Especialistas em cadeia de suprimentos exigem procedimentos de seleção mais cuidadosos e descentralizados, eles acreditam que os projetos devem passar não só pela equipe central de desenvolvimento mas também nos gatekeepers dos países de venda dos produtos. Ações como essa juntamente com uma força mais homogênea de trabalho poderia ser uma grande aliada das equipes de design em situações como essas. Equipes culturalmente mais diversificadas ajudam no desenvolvimento de novos produtos. “É muito fácil evitar esse tipo de controvérsia”, disse Angel Sinclair, fundador do grupo de defesa Models of Diversity. “Se você se importa em ser culturalmente sensível, basta ser mais culturalmente inclusivo em termos de talentos e gerentes nos negócios.”

O fato é que apesar do enorme volume de itens que essas empresas geram a cada ano, cada vez mais mais compradores começaram a pedir aos varejistas que se posicionem em questões sociais e políticas. As empresas de moda mais do que nunca passam a ter responsabilidade perante o público e os consumidores para garantir que estão sendo sensíveis ao projetar e comercializar produtos. Assim várias empresas do fast fashion se comprometeram a diversificar as contratações, reorientar as diretrizes corporativas e iniciar outras medidas para evitar que os erros continuem acontecendo, A proposta é diversificar para minimizar os erros. O treinamento em diversidade e inclusão tornou-se obrigatório para todos os novo funcionários.

Questão raciais e de preconceito passaram a ser um alerta não só na sociedade mas também no ramo da moda. Discutir, se informar e pensar sobre o que as marcas estão desenvolvendo é cada vez mais importante para nós consumidores, como ferramentas importantes no desenvolvimento e luta por um mundo mais justo para todos. Ficarmos atentos a tudo que acontece a nossa volta é uma forma de fazermos o nosso papel.

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