A opinião de profissionais brasileiros sobre “See Now Buy Now”

Sem dúvidas, o “See Now Buy Now” é o assunto mais falado nessa temporada da São Paulo Fashion Week. “Esse é o futuro?”, “Vai dar certo?”, “E as marcas daqui?”, esses são alguns dos questionamentos dos profissionais da área. Por isso, perguntamos a opinião de alguns deles sobre o movimento. Confiram:

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“Acho que esse é um movimento mais de indústria do que de moda. Imagina uma peça ser apresentada aqui hoje e amanhã ter que estar nas araras das lojas de Amazonas ou de Santa Catarina!? Por isso acredito que será meio a meio. Uma parte da coleção será vendida após o desfile, que serão peças mais certeiras e com o dna da marca, como por exemplo os vestidos tubo da Lollita. Já as outras peças, as que seguem as tendências, ainda vão precisar de um tempo de espera e serão avaliadas pela multimarcas e pela imprensa. O fato é que em todas as indústrias os intermediários estão com seus dias contados, é um novo caminho” – Ale Farah

“É complicado. A primeira marca a anunciar isso foi a Burberry, que é uma indústria de trench coat onde 60% da demanda de produção deles é disso, então fazer a pronta entrega faz todo sentido. Agora a Tom Ford em que os vestidos predominam e mudam muito a cada temporada, é um pouco discurso de marketing. Na SPFW ainda não vimos o movimento acontecer, então por enquanto a ideia é boa, mas acho que para nós jornalistas vai continuar tudo igual. Se isso vai aumentar as vendas, é questionável. Quando falamos em moda masculina brasileira, como não é uma indústria que apresenta muitas tendências, pode funcionar. Já as marcas femininas, como a PatBo que acabou de desfilar, não tem como produzir uma infinidade de vestidos sem saber mesmo se vai vender. Quem se dá bem com isso são as marcas que por um acaso já saíram da SPFW. De qualquer forma, acho que o movimento ainda está no discurso, quero ver na prática” – André do Val

“O mundo mudou muito, a cobertura dos desfiles também acompanhou essas mudanças, mas o calendário permanecia o mesmo. Com as redes sociais, eu já postei o desfile da Lilly Sarti que assisti agora, é automático. As marcas precisam se adaptar, demorou aliás. Daqui 6 meses, não só a cliente vai achar velho, as leitoras das revistas também. Então nesse novo modelo a imprensa vai continuar a ver antes, sem publicar nada, mas vai poder escolher as peças e divulgar ao mesmo tempo do desfile e da loja” – Daniela Falcão

“É um movimento ainda precipitado. No mundo todo, a única marca que consegue realmente fazer isso é a Burberry. O restante das marcas, tanto internacionais quanto nacionais, se o caminho for realmente esse, é preciso um tempo de maturação. Se vai ser algo bom ou não, vamos ver” – Lilly Sarti

“Então, logo que soube do movimento a primeira pergunta que fiz para o Paulo Borges foi se o mercado brasileiro assimilaria essa mudança e se teremos estrutura para fazer isso. Diz ele que sim. Há um tempo atrás, escrevi um texto questionando o fato de termos tanto acesso as imagens de todos os desfiles e ficar cansado meses depois, quando chega na loja está tudo velho. Nesse ponto, esse novo caminho é irreversível. Somos uma semana de moda nova, então por enquanto podemos nos dar o luxo de mudar e ver o que acontece” – Maria Rita Alonso

por Diego Sfoggia

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