A família margarina da Dolce Gabbana

Famosa por criar peças sexys que destacam o corpo feminino (através de detalhes que deixam a pele à mostra) e realçam o shape masculino por meio de ternos mais justos, a marca que carrega o sobrenome dos estilistas Domenico e Stefano, respectivamente, já foi mais ousada em sua comunicação. Em 2007, a label foi obrigada a retirar de circulação um anúncio que fazia alusão a um estupro coletivo. Nas últimas temporadas, entretanto, tem deixado o sex-appeal italiano de lado.

O choque visual é tão grande que a grife parece já seguir o projeto de lei (5921/2001) do deputado federal Salvador Zimbaldi (PDT/SP). Para quem não conhece, esta vigi regulamentar a publicidade infantil e obriga os anunciantes a utilizarem apenas modelos tradicionais de núcleo familiar. O que nos leva a fazer essa referência entre a norma brasileira e a publicidade da Dolce Gabbana são as suas recentes campanhas divulgadas. Houve a substituição do carão pelo sorriso no rosto; de um grupo de modelos só de cuecas por uma cama cheia de bebês; e de mulheres trocando caricias por carinho materno. Tudo isso inserido a um ambiente familiar com direito a cachorros, almoço de domingo e a presença dos avós.

Se voltarmos uns anos atrás, a marca já mostrava sinais de mudança em sua publicidade. Em 2010, a campanha de outono com a cantora Madonna apresentou um ambiente doméstico. Mas se tratando da loira e do fotografo Steven Klein, o resultado teve uma estética dramática em tons P&B, o que ficou mais para o filme Poderoso Chefão do que Para Roma com Amor, se compararmos as imagens de quatro anos atrás com os cliques atuais.

Esse novo momento é muito bonito, poético e explora uma sensualidade mais contida. Mas onde foram parar todas aquelas imagens irreverentes que marcaram a história da moda? Se depender de seus criadores, apenas em nossas memórias. Tudo indica que vamos comer pão com margarina por um bom tempo.

Texto: Antônio Turnes

Imagens divulgação.

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