Lui Iarocheski no Vancouver Fashion Week

Lui Iarocheski é um dos nomes de destaque entre os novos talentos nacionais. Convidado para desfilar sua última coleção no Vancouver Fashion Week, evento que está agitando o mundo fashion e reunindo uma nova safra de estilistas em uma das capitais mais badaladas, Lui desponta no cenário atual. O estilista nasceu em São Miguel do Iguaçu, no Paraná e veio para Florianópolis em 2009 cursar Relações Internacionais. Depois de um ano, largou o cursou para prestar vestibular no Curso de Moda da UDESC. O estilista, que esteve entre nos finalistas do Designer Awards 2015 e venceu a votação pela Internet e está embarcando para Vancouver, falou com a Catarina sobre a profissão e o futuro da moda no Brasil.

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RC – Como começou seu interesse pela moda?
LI – Posso dizer que meu interesse pela moda é recente. Não tenho histórico de moda na família e tampouco contato desde a infância com tal. Sou natural de São Miguel do Iguaçu, Paraná, e vim para Florianópolis para cursar Relações Internacionais. Depois de um ano cursando Relações Internacionais e vendo a melhor universidade de Moda do Brasil no quintal de casa, resolvi prestar o vestibular para o curso de Moda da UDESC em 2010. Apesar de sempre ter tido forte aptidão artística e desejo por criar, nunca havia cogitado o cursar Moda – até mesmo por alguns preconceitos e ambições que tinha até então. Portanto, digo que minha relação com a moda foi se fortalecendo e acontecendo aos poucos e, hoje define tudo o que sou.

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RC – Qual o seu ponto de partida para uma coleção? E inspirações?
LI – O ponto de partida para minhas criações sempre se dá de forma muito orgânica e experimental. Sempre começo explorando e esgotando as possibilidade de alguma técnica específica, manipulando materiais, cores e formas diretamente sobre o corpo. A partir do momento que os experimentos vão ganhando foco, vou criando line-ups das criações e relacionando com alguma temática mais poética que possa conversar com as pessoas. Por exemplo, para a coleção que estou levando para o VFW, comecei experimentando com as possibilidades das formas geométricas puras e manipuladas com cordas e amarrações. No meio do processo todo, tracei o viés com as obras vanguardistas de Hélio Oiticica e com a estética da improvisação dos moradores de rua. O croqui – que geralmente é ponto de partida da coleção da maioria dos criadores – é a última etapa em meu processo e muitas vezes até mesmo inexistente. Busco sempre a ruptura de conceitos e estou sempre pensando em dar aquele passo além do óbvio. Exploro e transformo o que é conceitualmente feio em visualmente belo.

RC – Como surgiu o convite para participar do Vancouver Fashion Week?
LI – O convite para participar do Vancouver Fashion Week veio de surpresa. Após retornar com minha coleção de um desfile de premiação em Viena, na Áustria – o RG Designer Award – fui contatado pela organização do VFW para representar o Brasil na semana de moda com minha coleção masculina. Estou deveras motivado e entusiasmado para participar do Vancouver Fashion Week. São raras as semanas de moda que abrem as portas para novos criadores apresentarem suas criações e expor novas ideias no tocante ao produto de moda. Estou trabalhando para levar para o VFW, além do meu DNA criador, também um pouco do perfil de moda brasileira que foge dos estereótipos de araras e bananeiras. Vejo o Vancouver Fashion Week como uma oportunidade para expor meu trabalho, receber o feedback importante da indústria e também espero abrir portas para que outros designer brasileiros participem futuramente.

RC – Quais os seus planos para o futuro?
LI – Como recém graduado, meus planos para o futuro são muitos e de veras otimistas. Continuarei nos próximos anos me esforçando para desenvolver e estabelecer a marca IAROCHESKI. Já estamos trabalhando há um bom tempo. Digo estamos, pois não estou sozinho. Somos um grupo de pessoas apaixonadas por fazer moda diferente! Criamos aqui em Florianópolis o Grupo WNext: uma empresa social que busca fomentar a sustentabilidade, o empoderamento das pessoas e a criação através da moda. Os planos são fortalecer este modelo de negócio, expandir e inspirar as pessoas. Espero num futuro próximo, com a marca Iarocheski, propor novas expressões em moda masculina e contribuir com o rompimento de estereótipos e com a diversificação das identidades expressas em produtos de moda.

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por Mariana Goulart
@marianaloureirogoulart
Fotos: Marcos Medeiros e Paulo Sefton 

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