Fechamento do Sul Fashion Week

1.02.2012

Estamos sumidos, eu sei, mas foi por um bom motivo. Encerramos a  segunda edição do Sul Fashion Week no último sábado! A gratificação de tocar um evento como esse é indescritível e, mesmo cientes de que há sempre espaço para melhorar, estamos contentes com a satisfação do público com esta edição.

 

Vamos por partes: o SFW nasceu com a proposta de ser uma semana de moda completa, com espaço para negócios, desfiles e uma programação educativa, para atender às necessidades dos diferentes nichos que compõem o setor. A oportunidade de se relacionar com o crescente mercado da região sul é o que trouxe consagradas grifes nacionais como Uma, Iódice, Huis Clos, Doc Dog, Folic, Richards e Maria Garcia para o showroom Premium do evento. “Esse é o primeiro showroom [fora o nosso] que participamos e estamos muito contentes,” afirma Carolina Munhoz, marketing da Doc Dog. “Além de fazermos contato com novos compradores, agendamos visitas com clientes da região sul no showroom do evento, por achar o ambiente adequado. Foi uma boa estratégia para nos aproximar ainda mais do mercado.”

 

 

 

Da mesma maneira, o evento abre possibilidades para marcas que pretendem fortalecer sua imagem e se lançar mais agressivamente no mercado. É o caso da gaúcha Anna Karenina, que além de expor no showroom, fez sua estreia na passarela do Sul Fashion Week.  “O evento foi muito positivo, sem dúvidas. Recebemos muitas visitas no estande, abrimos novos canais de relacionamento com lojistas diferentes. E ainda participamos dos desfiles, o que garante uma ótima exposição!” exclama a fundadora e estilista Anna Karina Zanol Northfleet. A presença de marcas de acessórios também fortaleceu o salão de negócios, ao complementar o mix de produtos oferecidos pelo evento. Para os compradores que pretendiam completar suas compras de inverno, as jovens designers com criações autorais e reconhecidas grifes do segmento mostraram ser ótimas opções.

 


 
Além da área business, a plataforma de informação de moda foi um sucesso, com lotação máxima em todos os dias. As palestras e oficina foram organizadas para atingir públicos distintos como estudantes, confeccionistas, compradores e outros profissionais da área, sendo ministradas por renomados empresários e educadores. “[Trabalhei com] um grupo forte, com muita experiência profissional, vontade e determinação,” elogia Celaine Refosco, diretora do Orbitato, que ministrou o workshop de Estampria Digital. O que só reforça o papel do Sul Fashion Week em suprir a necessidade de informação latente no mercado.

 

 

Em breve, divulgaremos detalhes sobre a terceira edição (sim, os planejamentos para a próxima já começaram!). Só para reforçar: a entrada para o showroom é gratuita e aberta para todos; apenas as palestras têm vaga limitada, devido à estrutura física da sala onde elas acontecem.

 

Camila Beaumord

Imagens: Pedro Caetano

As primeiras novidades de 2012

6.01.2012

O fim de ano foi intenso, mas agora – após um breve recesso – a redação da Catarina retorna com força total! 2012 mal começou e já estamos a mil com novos projetos relacionados à comunicação de moda, novidades na Revista Catarina e, é claro, a organização do Sul Fashion Week.

 

A semana de moda sulina acontecerá entre os dias 25 e 28 de janeiro, em Florianópolis. Quem se lembra da primeira edição sabe que uma de nossas propostas é atuar como o elo entre os talentos nacionais e estrangeiros. Por isso, em junho do ano passado, convidamos a dupla catalã Zazo & Brull para um desfile que narra a trajetória da marca. A exposição foi tão bem sucedida que os designers voltam agora, com sua mais recente coleção. Zazo & Brull participam do evento Barcelona 080, mas no Brasil, exibem suas criações com exclusividade no Sul Fashion Week.

 

A BAAM – Argentina Fashion Week  também marcará presença na semana do Sul. Criada há mais de 15 anos pelo empresário Héctor Vidal Rivas, responsável pelo vestuário de diversas séries de TV do país, a entidade conta com o consultor de luxo Abraão Ferreira como diretor criativo e possui caráter internacional, com edições que englobam a programação de eventos de outros países. Após as apresentações no Sul Fashion Week, a equipe argentina partirá para Paris, onde desfilarão na semana de moda francesa.

 

A participação dos estilistas Teresa Calandra, Marcelo Senra e Jorge Ibanez está garantida e encerrará o evento em Florianópolis, no dia 28 de janeiro. É importante ressaltar que, da mesma maneira que a semana brasileira abriu as portas para os criadores da Argentina, os organizadores da BAAM estarão presentes para conhecer os talentos nacionais e trazê-los para o line-up argentino, contribuindo com o intercâmbio de designers proposto pelo Sul Fashion Week.

 

Outra instituição confirmada é a Asociación de Nuevos y Jovenes Diseñadores Españoles (ANDE), de Madri, que entrou em contato conosco para expor o trabalho de talentosos profissionais espanhois. Patrocinada pelo Governo da Espanha, a associação também participa de referências no mercado como a feira Prêt-à-Porter em Paris, The Brandery (Barcelona) e Pure (Londres). O grupo de estilistas da ANDE inclui Sara Ostos e a marca Los Bocetos, que vêm ao Brasil pela primeira vez para exibir suas propostas para a temporada de Inverno 2012.

 

Croquis da estilista Sara Ostos

 

Em breve, divulgaremos todo o line-up de desfiles, que inclui renomados nomes nacionais também. Além da passarela, um mix de marcas Premium compõe nosso showroom de negócios, onde compradores qualificados podem realizar suas compras da temporada. A ideia é servir como uma verdadeira vitrine para os maiores talentos do Brasil, além de atuar como um viés para que marcas estrangeiras conheçam e incluam nosso país em sua rota de negócios.

 

O credenciamento para visitantes, jornalistas e compradores já está disponível no site, assim como outras informações sobre o Sul Fashion Week. Acesse e participe!

 

Camila Beaumord

 

 

 

 

 

Moda customizada

13.12.2011

Pensando em como a mulher gosta de estar bem vestida, com um look que caia bem com seu tipo físico, nasceu o Atelier 48. Nina Giacomini, formada em gestão de moda e modelo profissional há mais de 15 anos, juntou-se com estilista Dani Palma para lançar essa nova proposta, com o objetivo de satisfazer mulheres que gostam de exclusividade.

 

Lembrando os tempos da vovó, o Atelier 48 desenvolve peças sob medida, literalmente moldando cada biótipo para que a mulher se sinta linda. A cliente participa de todo o processo de produção, desde a escolha de tecidos e detalhes, mas sempre acompanhada do olhar experiente das sócias que entendem de moda.

 

Para saber mais sobre esse projeto, conversamos com a Nina, que revelou detalhes de seu processo de criação e o futuro da marca. Veja nossa entrevista exclusiva.

 

Revista Catarina: De onde surgiu a ideia de fazer roupas sob medida?

Nina Giacomini: Eu já havia pensado muito a respeito por não encontrar roupas que servissem em mim. Sou muito alta (1.78m) e por isso as peças ficavam curtas ou muito justas. Além disso, eu sou mãe, modelo e empresária. Preciso de roupas confortáveis e práticas, além de belas. Encontrei minha sócia Dani através de um amigo em comum e como Dani já tinha sua marca, nós nos unimos e aperfeiçoamos o que ela já fazia. Surgiu então o Atelier 48.

 

RC: Como é o processo de criação de vocês?

NG: Não temos um tema que nos inspira, pois não temos uma coleção. O que nos inspira é a história de cada mulher, o que ela faz, do que ela gosta, seu estilo de vida, esportes, hobbies, entre outras coisas. Desenvolvemos cada peça baseadas em uma história. Entramos no dia a dia de cada cliente para buscar a referência para aquela peça em específico. A partir do modelo escolhido, definimos junto com a cliente o tecido e o acabamento, para que a peça seja confeccionada.

 

RC: Como funciona o pedido das clientes?

NG: Elas podem criar junto conosco no Atelier. A estilista Dani Palma pode desenhar o modelo de acordo com a ideia da cliente. A cliente também pode mandar fotos ou escolher um modelo que já confeccionamos antes e colocar seu toque nele.

 

RC: Nesses tempos que em entender de moda é uma febre, com tantos blogs e sites sobre o assunto, vocês acham que com o Atelier 48, as mulheres se sentem um pouco como estilistas? Por escolherem um modelo e participarem dessa criação?

NG: Sem duvida. As clientes participam de todo o processo de criação da sua peça. Elas escolhem o modelo, acompanham o desenho junto à estilista, escolhem os tecidos, acabamentos, enfim… participam de todo o processo antes da roupa ser confeccionada.

 

RC: Qual o perfil da mulher que procura vocês?

NG: Atendemos desde pré-adolescentes até as vovós. Como não temos um padrão de produtos, nem uma tabela de medidas a seguir, conseguimos atender todas os perfis de mulheres.

 

RC: Vocês pretendem expandir o nicho de mercado para atender o público masculino também?

NG: Acredito que não. Nosso foco é vestir mulheres e como somos somente duas em todo o processo, precisamos nos focar no que amamos. Do contrário, não conseguiremos atender nosso publico com excelência.

 

RG: Vocês pretendem fazer uma coleção que não seja sob medida, com suas próprias criações?

NG: Neste momento, não. Eu penso em criar uma marca mais massificada ou assinar a criação de outra grife. Porém, não agora, em que me encontro tão focada na 48.

 

RC: Vocês já estão atendendo?

NG: Atendemos com hora marcada durante a semana e todos os domingos fazemos um encontro de amigas (e novas amigas) no Atelier, das 14h as 21h. Nesse dia, aproveitamos para colocar o papo em dia e as meninas fazem suas encomendas. Todos os tecidos disponíveis estão aqui nesses encontros e a estilista está disponível para criar os modelos diferentes. Damos bastantes risadas e tomamos um champanhe, é uma coisa bem descontraída.

 

As clientes de fora podem encomendar suas peças pelo nosso site. Lá, existe um book de fotos para ela pensar no modelo. Ela me escreve e eu entro em contato para decidirmos juntas o tecido e os detalhes.

 

RC: Quais sãos os objetivos da iniciativa e quais são as expectativas para 2012?

NG: Nosso objetivo é e sempre será atender todos os perfis de mulheres. Como nao existe corpo igual, medidas iguais, nem mulheres iguais, tentamos tornar a moda acessível a todas elas. Trazemos o que é moda e tendência e adaptamos isso ao corpo da cliente. Estamos sempre desenvolvendo novos modelos e atualizando o site para um contato mais fácil entre as clientes que estão longe e que querem fazer as suas peças conosco.

 

Se você se interessou pelo projeto, visite o site (http://www.atelier48.com.br/) ou o próprio Atelier, que fica na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

 

Bruna Pasternak

Imagens: Atelier 48

Diálogos Criativos mostram o futuro do design

24.11.2011

Três grandes criativos, atuando em áreas distintas, compartilharam suas experiências profissionais e discutiram a importância de mesclar talento com as unidades produtivas. O debate faz parte do evento Diálogos Criativos, que trouxe o arquiteto e designer gráfico Carlos Perrone, o estilista Ronaldo Fraga e o designer Marcelo Rosenbaum para a cidade de Pomerode no último sábado. Realizado pelo Orbitato – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design, o encontro reuniu cerca de 200 pessoas para a discussão de temas relacionados à criatividade, inclusive o papel do Brasil atualmente no mundo.

 

Esse assunto foi abordado por Celaine Refosco, diretora do Orbitato, em seu discurso de abertura. Ela explicou como o país está sendo “descoberto” tanto pelos outros quanto pelos próprios habitantes, o que traz questões como o desenvolvimento sustentável e a educação a tona. Sobre o trabalho do Orbitato, bem como o dos convidados, Refosco reflete sobre a urgência de se repensar a educação para que esta seja não apenas transformadora, mas encorajadora e que faça com que as pessoas enxerguem com mais clareza suas potencialidades.

 

Com isso, Carlos Perrone iniciou sua palestra “Design: portas por-onde”, em que apresentou a indústria como algo intrínseco ao design, que é, essencialmente, pensado para a multiplicação.  “A fábrica não é mais virtuosa que o estúdio. Não há morada única para a virtude”, disse Perrone, ao explicar que o atelier do criador é importante como “vitrine”, um local para o exercício da criação, mas que o processo industrial é crucial.

 

Outro ponto-chave foi a discussão sobre cotidiano e criações a partir de uma identidade nacional. O professor chama a atenção para xenofobismos como a negação de culturas externas. “Muitas vezes, o jeito que nos vendem a nós mesmos é ardiloso, caricato e falso”, alertou, mas que “o que devemos recusar não são suas culturas, mas a imagem que eles querem ter da nossa”, citando a crítica literária, Leyla Moisés.

 

Após o intervalo, o estilista mineiro Ronaldo Fraga apresentou seu processo criativo e abordou importante tema para qualquer criativo. “Inspiração é enxergar no insuspeito algo que nos dê a leitura do que falta”, declarou. Refletindo sobre as mudanças dos últimos 60 anos, Ronaldo atenta para o fato de estarmos há trinta anos na era da informação, em que o valor do produto está mais no que ele representa do que no que ele realmente é.

 

Ronaldo Fraga em palestra

 

Já Marcelo Rosenbaum, criativo do quadro “Lar Doce Lar”, do programa da Rede Globo Caldeirão do Huck, focou em trabalhos desenvolvidos junto a comunidades carentes e na importância de se estimular o que as pessoas têm de conhecimento, o que fortalece a ideia do coletivo para melhorar a vida de todos. Com projetos que geram emprego e renda nos locais em que intervêm, Rosenbaum prefere se definir como um articulador.

 

Ao falar de Identidade e Cotidiano, tema da terceira edição de evento, Carlos Perrone observou que “se olharmos para nossas memórias afetivas, encontraremos o Brasil” com composições diferentes, mas uma mesma base. Ronaldo Fraga explora isso ao contar histórias em suas coleções que partem de interesses e curiosidades próprias. Rosenbaum, ao visitar e pesquisar processos e conhecimentos pelo Brasil, descobre novos materiais e estéticas.

 

Esses processos de auto-conhecimento e pesquisa levam, inexoravelmente, à inovação, o que faz com que o design seja uma peça-chave na indústria atualmente, como observou Rosenbaum ao comentar a história da indústria catarinense, que inicialmente era executora e que agora passa por um momento de reinventação. Para Perrone, “design é indústria, empresa, economia, tecnologia e desenvolvimento sócio-cultural”, coisas indissociáveis no mundo atual.

 

Para a organização do evento, o encontro foi fundamental para discutir formas de criar e integrar indústria, artesanato e autoralidade. “Estamos em um momento onde o mundo está cansado. E o Brasil tem uma vitalidade, um frescor e uma leveza que faz com que todo mundo se encante, e todo mundo quer ser encantado, o mercado quer se renovar. Para se renovar,é preciso ter dedicação, força vital… o que a gente tem, só precisa transformar essa força vital em um produto que responda a necessidade do mercado com sua autenticidade. Acho que isso faz falta no mercado e isso os catarinenses podem ter. Essas duas pessoas [Ronaldo e Marcelo] fazem isso nas suas carreiras muito bem e o fato de eles usarem a indústria como editora é uma coisa muito inteligente.”, concluiu Celaine Refosco.

 

Flávia Schiochet

Edição para o site: Camila Beaumord

Estamparia com tempero vietnamita

22.11.2011

Em nossa seleção de designers para a Catarina: The Asian Issue (edição especial da revista dedicada ao mercado oriental), deparamo-nos com o trabalho de centenas de criadores incríveis. Um deles é o vietnamita Nam Sinh, que infelizmente só não participará da publicação pela falta de imagens de suas mais recentes criações. Mas não poderíamos deixá-lo de fora, então dedicamos este espaço no site para vocês conhecerem o designer em primeira mão.

 

Estudante premiado na Vmode Academy of Fashion, Arts and Management (instituição renomada de seu país), Nam Sinh se aventura no mundo da estamparia têxtil. Em julho deste ano, foi um dos dez acadêmicos escolhidos para desfilar no Eau de Fashion Runway, evento desenvolvido pela revista DEP que conta com a coordenação da top  Xuan Lan. Após ter preparado uma coleção prêt-à-porter para as passarelas, Nam Sinh agora prepara uma linha de alta-costura, que deverá ser exibida em março de 2012.

trabalhos do artista com estamparia

 

Por enquanto, o reconhecimento do jovem vietnamita vem de seu trabalho com a estamparia e tinturaria, mas sua trajetória está apenas começando. “Para mim, a moda não é apenas uma paixão, é um longo caminho que me desafia todos os dias. Acredito que com paixão e esforço, conseguirei conquistar esse percurso que escolhi,” reflete Nam Sinh.

 

Camila Beaumord

A vez do F-commerce

9.11.2011

Se a corrida das marcas para implantar suas próprias plataformas de vendas online já estava intensa, imagine agora com a popularidade do comércio via Facebook. Exatamente: além das divertidas ações de compartilhamento, promoções e fotos, a rede social mais comentada dos últimos anos oferece a possibilidade de comercialização via páginas. A estratégia faz sucesso com marcas menores, que nem sempre estão equipadas para comportar um site exclusivo de e-commerce, e agora conquista as maisons de luxo também.

 

Grifes como Diane von Furstenberg, Bulgari e até mesmo Chanel já trabalharam com o F-commerce oferecendo uma prévia de algum lançamento ou produto específico, mas sempre em paralelo com suas próprias redes de e-commerce. A diretora de pesquisa do Luxury Lab, Maureen Mullen, explica que essa é uma maneira inteligente de conquistar fãs e anunciar novidades. Enquanto essas ações direcionam a conclusão da compra no site das marcas, a Oscar de la Renta  foi um passo além e se tornou a primeira grife de luxo a comercializar uma peça exclusivamente (e inteiramente) pelo Facebook. O anel Esprit d’Oscar, que apareceu na passarela da temporada de Verão 2012, foi o escolhido para essa iniciativa e divulgado para os 283.000 seguidores da marca.

 

“A comunidade da rede é obviamente enorme, massiva e com crescimento constante, e saber como comunicar efetivamente e conquistar as pessoas interessadas na marca é um importante objetivo,” explica o CEO Alex Bolen. “Sinto confiante que, se conseguirmos cativar as pessoas, elas se tornarão consumidores hoje, ou amanhã ou no futuro.”

 

Erika Bearman, a vice presidente de comunicações da Oscar de la Renta, também está segura com a atitude da grife. Conhecida como OscarPRGirl para seus seguidores no Twitter, Foursquare, Tumblr, Instagram e Facebook, Erika compartilha uma experiência positiva da ação. “Recebi uma direct message no Twitter de uma fã que não tem acesso ao Facebook em seu escritório e estava preocupada que o anel estaria esgotado quando chegasse em casa! Respondi imediatamente que, caso isso acontecesse, eu pessoalmente reservaria um peça para ela.”

 

O contato direto com as pessoas é um importante fator para o sucesso da Oscar de la Renta nessa empreitada. “Foi uma experiência para nós que não se limitará apenas para esse anel. Nos próximos seis meses, temos planos de introduzir cada vez mais novos produtos pelo Facebook,” conclui Bolen.

 

 

Camila Beaumord

Imagens: Divulgação

Os casais

20.10.2011

A influência da França na moda é indiscutível. Já estamos acostumados com o poder das grandes maisons como Chanel, Dior e Yves Saint Laurent, mas em paralelo, grifes alternativas têm provado sua força de mercado e conquistado um público fiel de jovens consumidores.

 

Um exemplo claro é The Kooples. Criada pelos irmãos Alexandre e Laurent Elicha, a marca incorpora a elegância francesa com o urbanismo britânico. O mix de produtos é bastante variado, englobando peças casuais com alfaiataria marcante, tanto para homens quanto mulheres. Alias, o conceito por traz da marca é justamente que casais possam fazer compras juntos em uma mesma loja (daí o nome “The Kooples”), por isso todas as campanhas mostram jovens namorados reais.

Toda a comunicação da marca está em anúncios nas maiores revistas alternativas internacionais (como a i-D e a Dazed and Confused) e depoimentos em vídeos dos namorados, narrados de forma casual e espontânea. Os casais convidados para participar da campanha nem sempre são compostos por uma garota e um rapaz, o que apela ao público gay de maneira sutil, sem perder a classe The Kooples vai além das roupas e acessórios e trabalha com toda uma agenda cultural em Londres e Paris, com lançamento previsto até para uma gravadora para difundir o talento musical dos casais.

 

Apesar das ações pouco tradicionais, os investimentos da marca não fogem do padrão das renomadas maisons. Desde 2007, as coleções contam com a colaboração de Patrick Grant, diretor da Norton & Sons, conceituada empresa de alfaiataria londrina. O ar vintage e a qualidade impecável agregam ainda mais valor e contrastam de forma interessante com a modernidade da marca. Em termos de localização, The Kooples pode ser encontrada nos bairros preferidos das fashionistas britânicas e francesas, inclusive com uma loja na rue Royale, pertinho da Gucci, Chanel e Dior.

 

Uma marca que começou como uma ideia despretensiosa, hoje The Kooples tem valor estimado em €250 milhões. “Aprendemos muito quando trabalhamos com nossos pais, mas hoje conseguimos caminhar sozinhos,” conta Alexandre. Em um mercado onde originalidade e preços competitivos nem sempre andam juntos, marcas como a The Kooples se transformam em grandes cases empresariais, explorando um público com crescente poder aquisitivo e muitas vezes carente por novidades.

 

Camila Beaumord

Foco na gestão das marcas

17.10.2011

A primeira edição do Congresso Brasileiro de Negócios de Moda aconteceu no início deste mês no Rio de Janeiro. Com organização do Instituto Brasileiro de Moda, o evento englobou uma série de painéis para promover a discussão sobre a gestão das marcas do país. A moda como fenômeno cultural, a construção de valores para a identidade da marca, o design como fator de diferenciação e o branding como fator de geração de negócios foram os temas debatidos por professores universitários, criativos e empresários renomados durante os dois dias do Congresso.

 

A CATARINA entrou como media partner do evento e oferecerá a cobertura completa em sua próxima edição. Enquanto isso, postamos aqui nossa entrevista exclusiva com André Robic, diretor executivo do IBModa. Saiba como foi o processo de conceituação do Congresso e os planos futuros para o evento.

 

Patrícia Sant'Anna, Vladimir Sibylla, Luiia Acar, Luiza Marcie

 

Catarina: Por que vocês criaram o primeiro Congresso de Negócios de Moda do Brasil? Qual é a necessidade de trazer esse tema para debate?

André Robic: Logo que iniciamos as atividades do IBModa, realizamos uma pesquisa para entender melhor qual o posicionamento que deveríamos dar à área de cursos e conhecimentos, e dessa pesquisa surgiu um conceito que aplicamos até hoje como uma das premissas do IBModa: para uma empresa ser bem sucedida no setor ela deve dominar tanto a área de design como a de gestão. A área de design tem sido bastante contemplada por cursos, palestras e eventos, enquanto a área de gestão de negócios da moda não teve um desenvolvimento tão amplo assim. Partindo da premissa de que essa área é essencial ao setor, pois empresas de moda devem ter o mais completo conhecimento sobre marketing, finanças, logística, recursos humanos e demais áreas da gestão – tudo isso aplicado ao setor da moda, que é bem diferenciado dos demais setores – resolvemos investir ainda mais no desenvolvimento da área de gestão de negócios da moda, criando o Congresso.

 

Catarina: O que vocês pretendem atingir com o Congresso?

André Robic: Temos em mente diversos objetivos com o Congresso. Em primeiro lugar, queremos chamar a atenção dos empresários, principalmente os pequenos e médios, para a importância da gestão para o sucesso de seus empreendimentos e dar a esse público ferramentas e conhecimentos que lhes permitam criar competitividade para os seus negócios e a moda brasileira em geral. Da mesma maneira, pretendemos chamar a atenção para os estudantes, tanto de moda como de administração, para a possibilidade de fazer carreira no setor da moda também pelo lado da gestão. Outro objetivo é envolver escolas de administração com estudos de moda, promovendo a apresentação de trabalhos acadêmicos voltados ao setor e  firmar o evento como o principal fórum para debates sobre a área de gestão de negócios da moda no Brasil.

 

Catarina: Como foi a escolha da locação e dos temas abordados?

André Robic: O Rio de Janeiro foi escolhido por ser uma cidade que vem desenvolvendo marcas de moda bastante criativas, e tem um potencial natural para o desenvolvimento desse tipo de empresas por a cidade representar em grande parte o estilo de vida brasileiro, admirado e desejado no resto do Brasil e principalmente no exterior. A ideia inicial é fixar a cidade como sede do evento. O Parque Lage, por sua vez, foi escolhido por representar muito da cultura do Rio de Janeiro, ser um local de acesso fácil e conhecido pelo público para o qual o evento foi dirigido.

Nessa primeira edição resolvemos abordar o tema da Gestão de Marcas por ser um tema amplamente atual e um diferencial decisivo na gestão de empresas de moda. Fizemos então uma composição, em que na primeira mesa abordamos a moda pelo seu lado mais conceitual, explorando-a de modo mais profundo, cultural e científico. Partindo do princípio de que para gerir marcas é fundamental que a empresa e o país tenham uma memória estruturada, na segunda mesa discutimos o tema da gestão dessa memória, seja pelo lado empresarial, institucional ou nacional. Na terceira mesa, foi discutida a importância do design como diferencial para a marca e, finalmente, na quarta mesa, escolhemos duas marcas de grande peso e crescimento no mercado, mas com posicionamentos totalmente antagônicos, para exemplificar a utilização da gestão de marcas como ponto alavancador para o sucesso de empresas de moda.

 

Fernando Sigal, André Robic, Patrícia Oliveira, Regina Araújo

 

 

Catarina: Que outros profissionais, além dos convidados, agregariam à proposta do Congresso?

André Robic: O Congresso foi inicialmente concebido pela Diretoria e pelo Conselho do IBModa. A estrutura do Parque Lage foi fundamental à proposta do Congresso, uma vez que a sua composição voltada à arte e à cultura favoreceu imensamente o desenvolvimento de ideias para a sua formatação final. Os profissionais responsáveis pelas escolas de moda do Rio de Janeiro, na pessoa de seus coordenadores, agregaram com idéias e sugestões de palestrantes. Luiza Marcier, estilista do Rio de Janeiro e responsável pelo museu da moda, em desenvolvimento na cidade e Vladimir Sibylla também contribuíram decisivamente para o sucesso do evento, propondo idéias e formação de mesas.

 

Catarina: Haverá mais edições? Quantas por ano?

André Robic: Sim, a ideia é realizar uma edição anual.

 

Catarina: O que mais planejam para o futuro do evento?

André Robic: Não está definido ainda o tema para a próxima edição. É até possível que o tema de gestão de marcas se mantenha, cobrindo outras questões não abordadas, mas pensamos subdividir o tema em questões como marketing, vendas, logística, visual merchandising e produção, escolhendo alguns desses temas e compondo mesas específicas, apresentação de trabalhos acadêmicos e premiações.

 

Camila Beaumord

Os novos nomes de Santa Catarina

13.10.2011

Quatro jovens marcas narram sua trajetória e mostram como conseguiram destaque em âmbito nacional.

Montar um negócio próprio é como participar de uma maratona. Para percorrer a quilométrica trilha, é necessário meses (ou até anos) de preparação, que nunca parecem ser suficientes quando o corredor se depara com um imprevisto. Os desafios ao longo da prova descorajam muitos, mas no final, sempre restam aqueles que tiveram perseverança, paciência e confiança em si. Por isso nós, comunicadores na área de moda, ficamos felizes com o sucesso de novas marcas e jovens criadores no mercado. Então, resolvemos reunir alguns dos talentos de Santa Catarina para conversar sobre as suas trajetórias desde o nascimento de suas marcas.

 

Eles estavam em oito, sentados nas cadeiras, sofás e puffs do Café Riso de Jurerê. O clima era leve, como em uma reunião de velhos amigos, e o papo rolou solto em torno do denominador comum: suas marcas. Joice Alano e Karin Leida já trabalham com moda há dez anos para uma série de clientes. “Mas chegou um momento que o desejo de lançar uma marca própria tomou conta,” explicou Joice. Assim nasceu a Esh, uma marca moderna e divertida, que conversa com a mulher contemporânea. “Começamos com capsule collecitons de poucas peças sob o nome Razzle Dazzle, nossa empresa de consultoria. O sucesso foi tanto que evoluímos para algo separado e criamos a Esh.”

 

“Isso sempre foi um sonho nosso,” complementou Karin, algo que as fundadoras da La Marie, Mariana Pedrozo e Larissa Jardim, entendem muito bem. Ambas se formaram em Administração e a vontade de trabalhar com o mercado de moda surgiu quando Larissa terminava a faculdade. “Começou como um projeto, que se transformou em uma marca. Nosso desejo era mostrar uma moda diferenciada, que despertasse a confiança das mulheres,” contou Mariana.

Joice Alano e Karin Leida, da Esh.

 

Da mesma maneira, Tiago Durante e Rafael Lange, fundadores da Liverpool, começaram a trabalhar com estampas de camisetas quando cursavam Publicidade & Propaganda. “Tinhamos protótipos, que comercializavamos pelo Orkut,” contou Tiago. “Aí, produzíamos as camisetas por encomenda. Já que trabalhávamos em outros lugares, todo o lucro dos produtos se revertia em investimentos para a marca. Até que, há dois anos, a Liverpool virou nosso emprego full-time.

 

A Vish!, de Andreia Passos e Luiz Wachelke, também começou como uma marca de camisetas. “Era um desejo nosso de mostrar o nosso jeito de ser, o nosso estilo, através de roupas. Inspiramo-nos em uma viagem a Buenos Aires, pois lá há muito investimento em novos criadores e marcas pequenas. Voltamos empolgados,” lembrou Andreia. Hoje, foco da Vish! está na alfaiataria, uma transição que ocorreu na última coleção.

Larissa Jardim e Mariana Pedrozo, da La Marie

 

Quando perguntados sobre os desafios do mercado de moda, Joice foi rápida em pontuar três: knowhow de mercado, representação comercial e investimentos. Luiz concordou, “Não trabalhamos com representação para podermos buscar lojas que tenham nosso perifl. Aconteceu algo interessante conosco: os representantes de Santa Catarina tiveram dificuldade com nosso produto, pois estão acostumados com marcas muito comerciais. Aí tentamos o circuito de São Paulo e eles não conseguiram lidar com uma marca conceitual fora do eixo das grandes metrópoles!” Em contrapartida, Andreia compartilhou uma experiência muito positiva com parceiros-investidores. “Trabalhamos com a Lunelli, a Lancaster e a Renauxview em nossa última coleção. A parceria foi ótima para ambas as partes, pois pudemos aprender com o knowhow da indústria e tivemos a oportunidade de experimentar mais, com um leque maior de opções. Já as empresas lucraram com uma pesquisa de tendências oferecida naturalmente por nós e puderam ver seus produtos de uma nova maneira, talvez até mais ousada.”

 

Rafael aproveitou para apontar a aguçada concorrência como dificuldade, principalmente entre marcas de camisetas. “É um desafio mostrar um produto diferenciado, já há tantas marcas especializadas em camisetas e até grifes maiores que incluem a peça em seu mix de produtos,” complementou Tiago. “Por isso, procuramos a melhor estamparia, facção, tecidos…”.  Nesse momento, todos concordam em uma grande vantagem de montar uma marca em Santa Catarina – a prosperidade da indústria têxtil do estado. “Moramos em Blumenau, ou seja, estamos no coração do Vale do Itajaí, um dos maiores polos têxteis do país,” explicou Karin. “Sem dúvida, isso é uma grande vantagem.”

Rafael Lange e Tiago Durante, da Liverpool

 

Mudamos o rumo da conversa para meios de divulgação e, novamente, todos estavam em sintonia. “O público hoje consome Internet!” exclamou Luiz. Além da bem-sucedida área de e-commerce no site da Vish!, a página é a principal responsável por mostrar o trabalho dos criadores para pontos de venda em todo o Brasil e no mundo. “Quando você tem uma imagem forte, a Internet consegue difundi-la em proporções enormes,” afirmou Andreia. “Hoje nossa marca está em 24 pontos de venda, incluindo um na Espanha e um em Cingapura. Sem falar do retorno de mídia que a Vish! tem… já aparecemos em sites do mundo inteiro e até fomos convidados para a [feira de negócios] Bread and Butter Berlin graças à exposição na web.” A dupla da Esh concordou, explicando que toda a comunicação da nova marca foi realizada via Internet. Tiago complementou, “A Liverpool nasceu pela Internet e temos uma plataforma de e-commerce forte. Mas nosso volume de vendas vem mesmo é dos pontos de venda, que conhecem nosso trabalho pelo site.” A marca é comercializada em diversos estados brasileiros e, em Santa Catarina, conta com um público fiel em Balneário Camboriu.

 

Mariana citou outras facilidades da Internet, como a forma que as ferramentas eletrônicas (e-mail, redes sociais) podem aproximar consumidores. Mas afirmou que o maior feedback da La Marie vem dos representantes. “Eles são nossa maior fonte de pesquisa,” ressaltou. Nesse ponto, Joice enfatizou a importância de entender o mercado como um todo para o sucesso de qualquer empresa. “Temos que estudar as tendências, sim, mas é necessário ir além e saber um pouco de tudo que está acontecendo no mundo, pois às vezes coisas nada relacionadas à moda em si podem afetar de alguma forma nossos consumidores. A [revista] Exame, por exemplo, é leitura de cabeceira!” afirmou a empresária.

 

Viajar também faz parte do planejamento anual dos criadores, que buscam inspiração e conhecimento do mercado internacional para complementar o processo criativo. “As viagens agregam muito à marca, pois podemos estudar as tendências presenciar o estilo de vida de cada cultura,” explicou Rafael. “Nosso foco é a Europa. Há outras marcas e coletivos legais que acabam nos inspirando também, como a francesa Eleven Paris,” complementou Tiago.

Andreia Passos e Luiz Wachelke, da Vish!

 

Embora o início da carreira das quatro duplas tenha origem semelhante, cada uma tem planos distintos para o futuro das marcas. “Queremos crescer!” exclamou Joice. “A Esh é jovem, então pensar em expansão é natural. Mas estamos muito satisfeitas com o retorno da marca até agora!”. A Liverpool também almeja o crescimento, mas de outra maneira. “Nosso plano a curto prazo é aumentar o mix de produtos. Sempre vamos trabalhar com camisetas, mas o público – e nós mesmos – queremos agregar mais peças às coleções,” afirmou Rafael. “Uma loja conceito também faz parte do planejamento, mas isso virá mais para frente,” completou Tiago.

 

Para a La Marie, as ações futuras giram em torno da fidelização das consumidoras. “Pretendemos fidelizar os clientes já conquistados, valorizando cada vez mais o relacionamento com eles,” assegurou Larissa. Já os criadores da Vish! pretendem investir no novo caminho da marca, mais focado na alfaiataria. “Tivemos boa aceitação do público, então estamos mais confiantes nesse caminho,” explicou Luiz. “Mas nossa meta é sempre expressar nosso ponto de vista em cada coleção,” complementou Andreia.

 

Seja qual for a rota que os oito criadores decidirem tomar, podemos afirmar com toda certeza: a linha de chegada está cada vez mais próxima.

 

Camila Beaumord

Produção: Julie Fernandes

Imagens: Caio Cezar

Corrida para o luxo

3.10.2011

A Índia é um país com enorme potencial de consumo, mas ainda tem que adaptar sua estrutura local para atender essa demanda.

 

Em meio à crise econômica que afeta os países desenvolvidos ao redor do mundo, as nações emergentes seguem em ritmo de crescimento estável. As grandes representantes do mercado de luxo, atentas a essa mudança radical, passam a direcionar seus esforços de forma acelerada nos países em destaque, como Brasil e China. Mas outra grande potência, talvez menos comentada, também demonstra enorme força de mercado: a Índia.

 

Em Nova Deli, os consumidores estão famintos por produtos de luxo. Quando o assunto é automobilismo, marcas como a Porsche estão com vendas em alta. A marca alemã chegou a vender 215 modelos no período entre março e junho deste ano, 57% a mais do que a mesma época no ano passado. Enquanto executivos ao redor do mundo se esforçam para atingir as metas do ano, Ashish Chordia, diretor do grupo que importa os carros da Porsche para o país, precisa acalmar a demanda tão efervescente. “Sempre temos novos pedidos!” exclama o executivo. Já a Ducati, especializada em motos, tem previsão de vender 200 unidades a mais em 2011 do que o que foi consumido em 2010. “Abrimos nosso primeiro showroom em Bangalore em junho deste ano e vendemos 16 modelos na primeira semana. Estamos em choque!” comenta Chordia, que também trabalha com os produtos da Ducati.

 

O próspero cenário se estende ao vestuário. Grifes de acessórios e calçados como a Jimmy Choo e a Hermès fazem grande sucesso e já superaram as vendas do ano passado em aproximadamente 30%. “O luxo quase não sofre com a recessão. Previmos essa tendência em 2009,” explica Sanjay Kapoor, diretor de gerência da Genesis Luxury, que representa marcas como a Canali, Jimmy Choo e Bottega Veneta.

 

Mas mesmo com a euforia dos consumidores, o país ainda sofre com as limitações de sua própria infraestrutura comercial. As locações das boutiques de luxo, como o Emporio Mall e a Trindent Hotel Gallery (em Nova Deli) ficam muito afastadas umas das outras, o que desanima os compradores, visto que as marcas de luxo internacionais geralmente optam por apenas um ponto de vendas. Adquirir produtos da Gucci e da Hermès no mesmo dia, por exemplo, é quase inviável devido à distância entre as lojas e o agitado trânsito local.

 

Outro desafio é a disponibilidade limitada das coleções que chegam à Índia. O analista e consultor especializado em artigos de luxo, Oliver Pectu, comenta que as lojas da Louis Vuitton, Fendi e Chanel trabalham com pouquíssimas peças de roupa se comparadas com os pontos em outras cidades. “Para a maioria das lojas, principalmente as franquias com parceiros locais, a seleção de produtos é muito restrita,” complementa.

 

Pectu também aponta um dado muito importante: Quase 60% da elite indiana prefere fazer suas compras em viagens fora do país, principalmente em Dubai, Londres e Hong Kong. Essa tendência era realidade na maioria dos países em desenvolvimento, mas o Brasil em especial conseguiu reverter o quadro. O bom atendimento, variedade em produtos e localização das lojas são vantagens que o consumidor pode encontrar em nosso país.

 

Para a Índia, falta pouco chegar ao patamar dos outros países emergentes. É hora de aprender com o mercado e adaptar às necessidades da nova classe alta. Afinal, sede por novidades eles já tem.

 

Camila Beaumord