Nina Giglio fala sobre tendências e Geração Z no evento O Negócio da Moda

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O Negócio da Moda, evento voltado para a moda e suas vertentes tem o foco nos negócios e tendências do mercado atual. Reunindo nomes de peso no cenário atual, o evento acontece entre os dias 7 e 9 de novembro, em Balneário Camboriú. Nina Giglio, pesquisadora dos movimentos de consumo do WGSN, empresa responsável por antecipar tendências e nuances da moda, será uma das convidadas, com a palestra de tema “Geração Z: Como se comportam e o que sua marca deve saber sobre eles”. A Revista Catarina, parceira do evento, conversou com Nina, para entender o que os próximos anos trarão para os negócios e o que a Geração Z influencia nesta nova fase da moda.

Revista Catarina: O evento ONMD une moda e business. Em meio a crise que vivemos, como influenciar os profissionais do ramo com informações relevantes?

Nina Giglio: Momentos de crise são oportunidades para se olhar o novo de maneira estratégica. Para influenciar profissionais da moda e business, é necessário se valer de informações, análises e pesquisas que auxiliem na hora de criar o futuro de seus negócios. Nesse sentido, a WGSN é a autoridade de previsão de tendências do mundo para a indústria criativa, o que nos possibilita prever o futuro e compreender o presente. Com isso em mente, acabamos de lançar a WGSN Insight, que fornece análises transformadoras de mercado e consumo para estimular ideias inovadoras, aproximando a distância entre as inovações futuras e os mercados em rápida transformação de hoje. A WGSN Insight fornece uma cobertura completa das tendências de marketing, varejo e mercado consumidor, produzida por uma equipe global com os melhores especialistas e coolhunters da indústria.

RC: Existem tendências e prospecções no qual a moda pode ser positiva neste cenário atual? Quais?

NG: A moda pode se beneficiar imensamente de uma postura realista e autêntica atualmente. Acessibilidade e relatabilidade são elementos chave para se relacionar com o consumidor atual, atingindo todas as áreas: desde ícones de comportamento usados em campanhas à mensagem passada dentro do ambiente da loja. O movimento já vem sendo identificado pela WGSN desde 2013, e tem ganhado momentum nos últimos tempos, chegando finalmente ao mercado de massa. O grande motivador dessa postura é o uso das mídias sociais, com a influência de novas plataformas como o Snapchat e posts dos consumidores criando um ambiente que demanda um conteúdo mais real e menos perfeito. Atualmente, a chave para os negócios é comunicar-se de igual para igual com seu público. Esse clima autêntico pode ser visto, por exemplo, nas campanhas da marca & Other Stories, que contou com as modelos transgênero Hari Nef e Valentijn De Hingh na última temporada. Em sua última campanha de lingerie, a marca escolheu focar na autenticidade ao selecionar pessoas sem nenhuma experiência prévia, e não photoshopar pêlos, cicatrizes e outras marcas nos corpos, tornando-as mais reais. Assim, a marca passa a se conectar com seus consumidores de maneira mais honesta e autêntica.

Se pensarmos especificamente na geração Z, é importante que marcas de moda estejam alinhadas com os valores desse público. Os Zs são pragmáticos e colocam a possibilidade de fazer diferença no mundo como prioridade. Nesse sentido, a marca de moda que apresentar um produto acessível e ligado à uma causa relevante para este público sairá na frente. Além disso, a geração Z valoriza a oportunidade de colaborar com as marcas de moda. Assim, negócios que tornem estes jovens parte de atividades fundamentais – como nomear um produto ou decidir por um modelo – ou os integre à campanhas de mídias sociais terão uma possibilidade de sucesso maior.

RC: Como trabalhar tendências de moda para um público mais abrangente (sobre sua participação no ONMD)

NG: Com grande parcela da população exposta a conteúdo constante, a tendência é ‘desligarmos’ ao invés de prestarmos atenção. Com isso, é necessário conseguir atingir o público de maneira menos óbvia. É aí que entra o unbranding (quando os produtos não trazem marca alguma) criativo, com as empresas promovendo experiências anônimas antes da venda de produtos. Com a Economia da Experiência crescendo mundialmente, o unbranding permite com que as pessoas tenham uma experiência física, digital e/ou emocional, causando engajamento e deixando uma boa impressão duradoura, excluindo-se o pitch de vendas. Marcas estão criando comunidades em torno de assuntos como beleza, moda e arte, suscitando diálogo e empoderando seus consumidores. Dessa maneira, pensar em plataformas de conteúdo pode ser uma maneira inteligente de trabalhar as tendências para um público mais abrangente quando se pensa em negócio de moda.

RC: A geração Z está super engajada na moda, com a Internet a seu favor. Os negócios relacionados à moda devem tirar que lição deste relacionamento com a Geração Z?

NG: A geração Z, composta pelos nascidos entre 1994 e 2010, caracteriza-se por utilizar a Internet como plataforma para seu ativismo. Os chamados Clicktivistas querem – e podem – mudar o mundo, e marcas que falam com essa geração devem estar atentas para empoderá-los nesse sentido. Uma comunicação de marca que permita e promova a interatividade, assim como campanhas que respeitem a pluralidade de gênero, raça e religião são elementos-chave para o sucesso com esse público. Plataformas de colaboração e co-criação, que liguem as marcas à reação dos consumidores, são outro grande fator nesse cenário.

Por outro lado, os Zs demandam honestidade, autenticidade e transparência das marcas, e não hesitam em cobrá-las por isso. Os jovens dessa geração possuem um filtro extremamente rápido – apenas oito segundos – para decidirem se consideram uma informação relevante ou não. Nesse sentido, os negócios precisam estar prontos para reagir à eventos culturais a qualquer momento, com respostas autênticas e com bom humor, criando campanhas que, em muitos casos, se tornam virais. Nesse ano, vimos exemplos como a coleção de primavera de Marc Jacobs, inspirada pela decisão dos tribunais estadounidenses em 2015 de legalizar casamentos do mesmo sexo. O estilista incorporou as cores da bandeira americana na coleção e apresentou figuras influentes como a ícone transgênero Lana Wachowski na campanha. É fundamental que qualquer iniciativa dos negócios esteja dentro do universo da marca e se relacione com o público alvo. Marcas devem estar preparadas para responder às demandas do público através das mídias sociais e sustentar uma comunicação transparente, empoderando o consumidor.

Para participar do evento e também conferir os palestrantes e mesas redondas acesse o site do evento: www.ondm.com.br

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